
Sean Strickland em entrada para evento no UFC . Foto: Reprodução/Instagram/UFC India
No octógono, Sean Strickland desfere socos. Fora dele, mira o que chama de ‘inimigos invisíveis’ da sociedade norte-americana: uma geração perdida entre antidepressivos, telas brilhantes e pacotes de entrega rápida. O ex-campeão peso médio (até 83,9kg.) do UFC disparou críticas contundentes ao que define como ‘vazio espiritual’ nos Estados Unidos, atribuindo parte do aumento nos casos de depressão ao consumismo desenfreado.
“A América é o maior país do mundo. Mas há um nível de depressão e vazio espiritual sendo preenchido com consumismo. Você vê isso mais quando sai e volta. A solução é fácil. Os adultos só precisam parar de adorar a deusa chinesa Amazon”, disse Strickland em postagem nas redes sociais.
Criado na Califórnia em meio à pobreza e abusos paternos, Strickland encontrou nas artes marciais um antídoto para a raiva herdada de um avô supremacista — fase que ele mesmo classifica como ‘vergonhosa’ . Hoje, o mesmo homem que defende porte de armas e critica ‘politicamente correto’ chora ao relembrar a mãe agredida e admite ser um perigo para as pessoas quando as lembranças do passado retornam.
A postura, porém, esbarra em dados: os EUA registram 21 milhões de adultos com depressão majoritária, segundo o NIH (National Institutes of Health – Instituto Nacional de Saúde), e Strickland próprio admitiu em março de 2024 crises mensais de ansiedade mesmo após conquistar fama e fortuna.