
Alice Pereira foi recém contratada pelo UFC. Foto: Reprodução/Instagram @alicepereiraufc
Apontada como uma das maiores promessas brasileiras no MMA feminino, Alice Pereira se prepara para aguardada estreia no UFC. Diretamente de Feira de Santana, Bahia, a lutadora invicta, de 19 anos, que nocauteou quatro das seis adversárias na divisão peso galo (até 61,2kg.), não visualiza nada além de uma carreira com muito sucesso e violência no octógono.
Em entrevista exclusiva ao SUPER LUTAS, ‘Golden Girl’ (menina de ouro), como é conhecida, falou sobre sua chegada ao MMA; revelou planos futuros e adiantou o que os fãs podem esperar quando for sua hora de se apresentar no UFC.
“Quando eu estreei no MMA, eu já imaginava que ia querer seguir carreira. A minha estreia foi mais para ter aquela certeza. Depois foi uma sequência de conversas com meus mestres, muitos treinos e aí já tinha uma noção que a gente ia chegar lá, certeza a gente já tinha. Eu só não imaginava que ia ser tão rápido e na proporção que foi”
Alice Pereira estreou no MMA profissional com 17 anos. Foto: Reprodução/Instagram @alicepereiraufc
Após realizar sexta luta na carreira, Alice aproveitou momento da vitória para pedir uma chance ao UFC. Em meio ao silêncio e suspense se planejamento havia dado certo, Micky Maynard, braço direito de Dana White e um dos responsáveis pelo casamento de lutas na organização, ligou diretamente para a atleta, a fim de convidá-la a ingressar no Ultimate.
“Na verdade, a gente quando tinha feito todo esse planejamento da frase, dos vídeos, da camisa que a gente iria postar, a gente imaginou que o contrato poderia vir. A meta, a minha esperança era que o contrato viesse até dia 20 (de dezembro) que é meu aniversário dia 19 (…) O vídeo chegou no Mick Maynard, a gente viu que ele tinha visualizado, ele curtiu e quando o contrato não chegou na semana, a gente tinha perdido as esperanças. (Pensei): ‘é, não vai vir, ano que vem a gente faz uma luta e tenta de novo’. Mas acabou que dia 24, na véspera de natal, eu recebi uma ligação do Mick, ele tinha feito uma camisa me desejando feliz natal e falando que eu estava dentro. Ai a gente entendeu que era uma surpresa”
Mick Maynard em ligação com Alice Pereira. Foto: Reprodução/Instagram @alicepereiraufc
Assim como muitos lutadores, Alice que iniciou sua carreira profissional em 2023, já possui apelido definido. Apesar de não entender o motivo, a lutadora demonstrou ter aprovado ideia de seu treinador Edilson Teixeira.
“Foi bem do nada. Já estava a um tempo procurando um vulgo para mim, aí um belo dia o Edilson acordou e falou que meu apelido seria Golden Girl. Da onde ele tirou isso, irei perguntar um dia para ter essa resposta para as pessoas que perguntam”
Treinando em solo baiano, Alice acaba tendo constantemente perguntas sobre qual academia representa e treina diariamente. Apesar de se aventurar às vezes com Jailton Malhadinho, Eduarda Ronda e companhia no Galpão da Luta, a jovem promessa fez questão de reforçar aonde fica seu centro de treinamento.
“Eu sou da Life MMA, aqui de Feira de Santana, que é a mesma academia do ex-UFC Carlos Boi, que é da Ravena que está atualmente no UFC. Ainda mais na época que fui contratada tinha uma foto fixada com Malhadinho no Instagram e aí a galera viu de cara a logo do Galpão atrás e falaram que eu era do Galpão”
Alice Pereira ao lado de Carlos Boi (esq), Caio Portugal (dir) e Edilson Teixeira. Foto: Reprodução/Instagram @alicepereiraufc
Terceira representante da Life MMA a chegar no UFC, Alice garante conviver com grandes inspirações no seu dia a dia. Além de seu treinador Edilson Teixeira, a atleta destacou encanto e aprendizado com a presença de Carlos Boi em suas aulas práticas de MMA.
“Já me fizeram a pergunta de quem eram as minhas maiores inspirações, no topo está Carlos Boi e Edilson Teixeira, são as minhas duas maiores inspirações, sempre fui fã deles. Quando entrei na Life foi tipo: ‘nossa, tá aqui o cara que eu ficava assistindo as lutas de noite’ e acabou que ele me ajuda bastante, sempre está ali me dando suporte, me passando experiência, toque na hora do sparring, então é de grande ajuda o que ele me passa”
Sem temer por se aventurar na trocação com as adversárias, a lutadora de Feira de Santana reconhece amor e maior habilidade na luta em pé. Porém, apesar da preferência, Alice afirma optar pelo lado estratégico e mesclado durante confrontos.
“Eu me identifico realmente como striker, sair na mão é o que eu gosto mesmo, me identifico mais com essa parte de trocação. Mas eu gosto muito também da luta agarrada, daquele jogo trabalhado, estratégico, trabalhar no clinch, na grade, fazer pontos. Mas realmente não tem como negar, as lutas não negam, os vídeos não negam, o que eu gosto mesmo é da porrada, gosto do jogo inteligente que é a trocação. Gosto de bater e não ser tocada, saber a hora de entrar, de não ficar parada”
Alice Pereira em vitória no MMA. Foto: Reprodução/Instagram @alicepereiraufc
Ciente que os fãs e UFC possuem preferência por lutadores agressivos e que empolgam público presente com falas ou atuações, Alice Pereira garante já possuir ingredientes necessários para gerar o caos no octógono e arenas que se apresentar.
“Eu já converso isso com algumas pessoas, quando eu estou ali no octógono nem eu me reconheço às vezes. Eu faço umas coisas com naturalidade, provocar, mandar vir para cima, tirar uma onda e que depois que estou assistindo eu falo: ‘que menina otária é essa?’, eu fico em choque com as coisas que eu faço, porque é algo tão natural ali no octógono que a adrenalina me faz ser a Alice Pereira ali no octógono. Com relação a fora do octógono, que é promover a luta, eu acho que depende muito da minha adversária, de quem é minha adversária, como ela vai me tratar e qual será a energia da luta”
Apesar de não ter estreado até o momento, Alice demonstra já estar de olho no plantel da categoria que irá atuar. Sem esconder o jogo, a lutadora indicou adversária ideal para marcar sua primeira aparição na organização.
“O nome que está em mente agora é Klaudia Sygula. Mick se me ligar vai ser o nome que irei dizer. Mas nada fechado, nada ainda conversado, mas é o nome que irei deixar aqui no ar”
Edilson Teixeira e Alice Pereira durante treinamento. Foto: Reprodução/Instagram @alicepereiraufc
Com apenas 19 anos e seis lutas profissionais, Alice reconhece que todo esforço e foco foi recompensado. Com orgulho, a lutadora destacou renuncias que fizeram valer a pena os holofotes que está recebendo em sua carreira.
“Eu sei tudo o que passei, tudo que tive que abdicar para estar aqui. Então, sim, eu tenho muito orgulho por nunca ter desistido, por nunca ter fraquejado, nunca ter faltado treino por besteira, por sempre ter mantido o foco e a mente fechada no que eu queria (…) vejo que esses últimos três anos que abdiquei valeram totalmente a pena. Era o que eu imaginava desde o início, era o que eu tinha colocado na cabeça”, concluiu.