Primeiro campeão brasileiro do Karate Combat, Luiz Rocha se prepara para mais uma grande batalha em sua carreira. Diretamente de Natal, o lutador vai realizar unificação de títulos na categoria dos leves (até 70,3kg.), neste sábado (19), contra seu grande rival Shahzaib Rind, paquistanês que conquistou cinturão interino após o potiguar se lesionar e precisar ficar afastado da organização.
Protagonistas de grande rivalidade, os lutadores não hesitam em prometerem performance violenta no pit que será instalado em Miami (EUA) para mais uma edição do Karate Combat. Em entrevista exclusiva ao SUPER LUTAS, Luiz Rocha falou sobre sua preparação e expectativas para o aguardado encontro com Shahzaib.
“Antes da proposta chegar para mim, eu já tinha pedido por essa luta. Em abril do ano passado, teria um evento em Dubai e eu queria ter lutado nesse evento para conhecer Dubai, que eu não conhecia. Falei pro presidente (do KC) que seu atleta, porque o Shahzaib treina na academia que é do presidente, é uma coincidência, falei: ‘o seu garoto tá 5-0, ele pode ser meu desafiante. Eu quero lutar em Dubai, ele é paquistanês/árabe, as pessoas gostam’ e aí ele falou que não, que ele ia lutar com um indiano, em um desafio Paquistão x Índia e ele seria o capitão’”
Luiz Rocha em encarada com Shahzaib Rind durante evento do Karate Combat. Foto: Reprodução/Instagram @luizvrocha
Devido a rejeição do pedido, Luiz acabou decidindo se aventurar na divisão dos galos (até 61,2kg.) onde sofreu derrota após não conseguir performar da maneira que gostaria por conta do desgaste no corte brutal de peso. A conquista do título interino do paquistanês ocorreu quando o brasileiro iria enfrentá-lo após retornar para sua categoria, mas acabou se lesionando e sendo impedido de defender trono.
Disposto a deixar rivalidade de lado para opinar sobre habilidades do próximo adversário, Luiz destacou estilo diferenciado do paquistanês aos demais rivais que já teve no Karate Combat.
“É um cara muito diferente de todos os outros que já lutei, não vou codificar como é melhor ou pior, mas luta é luta, são características diferentes, mas ele é bem diferente. Mas ele também nunca lutou com alguém que tenha meu jogo, acho que isso até aumenta a expectativa para essa luta, porque fica difícil de prever como vai ser”
S. Rind posando com cinturão do KC ao lado de Din Thomas (esq) e o presidente Asim Zaid. Foto: Reprodução/Instagram @goatshed
Apesar de considerar o paquistanês como adversário com estilo diferenciado, Luiz surpreendeu ao afirmar que sua maior preocupação não é se preparar para o rival e sim para recuperar lesão no joelho.
“Eu treinei muito bem para essa luta. Meu joelho recuperou, graças a Deus. Para mim, o mais importante era isso: meu joelho estar bem. Minha maior preocupação com essa luta nunca foi ele (Shahzaib), nunca me preocupei com ele, minha maior preocupação sempre foi eu estar recuperado do joelho e saudável para luta, esse sempre foi o meu temor, digamos assim”
Presente no Karate Combat há alguns anos, Luiz já enfrentou diversos lutadores e acabou tendo história com Edgars Skrivers, único atleta que realizou trilogia na organização. Questionado se sua antiga vítima gerou maior tensão em rivalidade, o brasileiro explicou diferença do que sente com Shahzaib atualmente.
Luiz Rocha em encarada com Shahzaib Rind durante evento do Karate Combat. Foto: Reprodução/Instagram @luizvrocha
“Com Edgars eu tive uma parada que foi realmente diferente. Eu era invicto no Karate Combat e no MMA, então profissionalmente eu nunca tinha perdido uma luta e o Escrives me venceu em 2019, em 2022 lutei novamente contra ele e nocauteei e venci novamente em 2023, então essa história por ter sido minha primeira derrota, por ter acontecido todo esse cenário, coloca o Skrivers num patamar dentro da minha vida, acima”
“Mas o Shahzaib é um cara que conseguiram construir uma estrela, de fato. Pensando em público, seguidores e business, ele é um cara muito popular no país dele, que é carente de ídolos, então isso está fazendo a luta ser mais ainda promovida. Para mim é bom, olho com bons olhos, não olho a parte ruim de rivalidade, isso não me incomoda. Vejo como algo bom, quanto mais gente querendo ver a luta dele, mais gente me olhando. Não levo pro pessoal, pelo menos não ainda, talvez se rolar uma encarada mais tensa eu leve, mas estou levando apenas pelo lado business”
Destemido e realizando declarações confiantes e provocativas, Luiz afirma não se importar com pressão que está colocando sobre si mesmo e garante que o real atleta a entrar pressionado é o paquistanês que precisa orgulhar seu povo que, até o momento, não teve um título linear no país.
“Sinceramente, eu não estou sentindo pressão, não. Pelo contrário, estou com saudade de entrar e sair na porrada. Estou há 14 meses sem lutar, o tesão de estar aqui, semana da luta, aquela adrenalina, faz vídeo, assina cartaz, essa pegada eu estava com saudade. Acho que o sentimento que toma conta de mim hoje é isso: felicidade e animação, realmente estou animado”
“Acho que a pressão está muito mais nele, porque ele é o campeão interino, chegou no Paquistão como primeiro paquistanês como campeão mundial de um esporte de combate e está nessa pegada que sou o cara. Só que se ele perde sábado e vai perder, ele vai ser apenas lembrado como o cara que foi campeão interino. Eu não, a minha história está escrita. Sou o primeiro brasileiro campeão do KC, para sempre tá escrito”
Luiz Rocha é o campeão linear peso leve do KC. Foto; Reprodução/Instagram @luizvrocha
Ao contrário do que muitos buscam, o campeão brasileiro planeja ficar o maior tempo possível dentro do pit, para causar dor e matar a saudade de se apresentar no KC.
“Eu sempre tenho o plano de tentar nocautear rápido, mas essa não é minha ideia. Minha ideia é tentar aproveitar cada segundo dentro do pit. Eu fiquei 14 meses sem lutar, cheguei a passar pela dúvida de se eu voltaria a lutar, então realmente quero aproveitar estando lá dentro, desfrutar. E quero machucá-lo, quero que ele sinta dor, quero ver medo no olhar dele, quero bater nele, olhar no olho dele e ver que ele sentiu medo, ver que ele pensou: ‘que merd* que eu fiz na minha vida’ e provocar esse cara. É isso que quero causar e o nocaute será uma consequência disso aí”, concluiu.