Carlos Henrique é uma prova viva de que o jiu-jitsu pode salvar vidas. O manauara, que defende o cinturão peso leve (até 70,3kg) no UFC BJJ 3, marcado para a próxima quinta-feira (2), acredita que sua trajetória não tomou um destino trágico graças à arte suave.
Em entrevista exclusiva para o SUPER LUTAS, Carlos Henrique contou a história de como conheceu o jiu-jitsu. Segundo o campeão, ele teve o primeiro contato com a modalidade influenciado por um amigo que já treinava. A princípio por curiosidade, a prática ganhou outro significado quando descobriu a existência de grandes campeonatos internacionais.
“Me apresentei pro jiu-jitsu em 2014. Onde eu nasci, em Manaus, tem uma academia de jiu-jitsu em cada esquina. Um amigo sempre passava pra ir treinar e um dia eu resolvi seguir ele e descobrir o que era o jiu-jitsu. Quando descobri que tinha os grandes campeonatos fora do país, comecei a levar isso a sério. Passei a treinar pra conquistar o maior título, que é o Mundial da IBJJF, na Califórnia. Depois disso, comecei a ficar perto de pessoas com a mesma mentalidade e botei na cabeça que agora era a minha vez.”, contou Carlos Henrique.
A trajetória no esporte também se tornou um caminho de transformação pessoal. Vindo de uma família humilde, marcada por dificuldades financeiras e pela ausência do pai, Carlos Henrique afirma que encontrou no jiu-jitsu a chance de mudar de vida.
“Foi assim que eu comecei a mudar minha vida. Eu venho de uma família humilde, de periferia. Uma mãe de oito filhos. Meu pai teve alguns problemas com a criminalidade e minha mãe teve que cuidar da gente sozinha. E nessa dificuldade eu encontrei no jiu-jitsu uma forma de mudar a minha vida e a da minha família. O jiu-jitsu mudou minha vida, ajudou minha família, pago minhas contas pelo jiu-jitsu. Se não tivesse encontrado o jiu-jitsu, eu nem estaria aqui. Estaria mort* ou na cadeia. Querendo ou não, o que tinha, ao meu ver, era o caminho errado, que era o mais fácil, mas acabei indo pelo mais difícil, que era o jiu-jitsu.”, apontou o campeão.
Em sua primeira defesa de título, Carlos Henrique enfrenta Matheus Gabriel. O nascimento de sua filha dá ao campeão uma motivação extra para voltar para casa com a vitória.
“Todo mundo fala que quando você vira pai, você ganha uma força extra. Então eu tô vindo pra essa luta com uma motivação a mais. Já tenho muitas coisas pra me motivar, mas agora, com a minha filha, é uma motivação de voltar pra casa com a vitória, dinheiro na conta… então é uma motivação a mais.” disse.
Sobre o oponente, Carlos Henrique mostrou respeito, mas destacou sua vantagem técnica na luta sem kimono, já que o estilo do adversário é voltado para o jiu-jitsu tradicional.
“Eu acredito que tenho muitas vantagens. O Matheus é muito bom, muito agressivo, mas o jiu-jitsu dele é muito mais voltado pro kimono. No No-Gi não tem muita pegada, você tem que controlar, apertar… e eu já me adaptei bastante. Nessa luta, eu não vejo tanto perigo vindo dele. Como eu disse, ele é um cara muito bom no kimono, mas no No-Gi deixa a desejar. Eu tô tranquilo, já lutei com muitas pessoas mais perigosas do que ele e acredito que vou sair com uma finalização… Venho de quatro vitórias por finalização na organização e é assim que vou construir a luta, pra chegar na finalização. Esse é o meu objetivo.”, explicou o faixa preta.
Carlos Henrique é campeão peso leve do UFC BJJ. Foto: instragram / @carloshenriqueeejj
Apesar de ter um compromisso marcado para a próxima quinta-feira (2), Carlos Henrique já planeja seu futuro no UFC. Ele pretende primeiro defender seu título antes de subir para a categoria até 77kg e disputar o cinturão, buscando se testar em novos desafios.
“Minha ideia é defender meu título e subir de categoria pra desafiar o cinturão. Eu sou um cara que procura sempre o desafio, então vou tentar subir pra até 77kg e competir contra o campeão. Mas primeiro quero defender meu título. Daqui a quatro lutas, vou fazer essa transição pra me testar.”, revelou o campeão.
Os desafios do atleta não param no tatame. Carlos Henrique fará sua estreia no MMA amador pelo Fury FC, no Texas, e quer aproveitar a experiência para desenvolver suas habilidades no striking, mostrando que seu talento vai além do jiu-jitsu.
“Daqui a duas semanas eu vou disputar uma luta de MMA. Vou fazer uma luta amadora no Fury FC, no Texas. Já venho treinando há uns sete ou oito meses e vou fazer minha estreia no amador no dia 26 de outubro. Assim que eu ganhar aqui, já volto pra academia e vou me preparar para minha luta de MMA. Eu sou um cara que consegue desenvolver muito rápido, então minha evolução é bem rápida. Não vou só fazer jiu-jitsu, porque eu sei que, se eu fizer jiu-jitsu, vou finalizar muito rápido. Então quero me testar um pouco no striking. Quero que a galera entenda que eu não sou perigoso só no jiu-jitsu.”, concluiu Carlos Henrique.
Carlos Henrique volta à ação na próxima quinta-feira (2), na luta co-principal do UFC BJJ 3, defendendo seu cinturão contra Matheus Gabriel.