
Valter Walker atuou como announcer no Hype FC. Foto: Reprodução/Instagram/UFC
Mesmo sem entrar em ação, Valter Walker roubou a cena e protagonizou um momento, no mínimo, inusitado no Hype FC, realizado na última quarta-feira (11). Durante o duelo de boxe sem luvas entre Maurício Boni e o ex-UFC Leleco Guimarães, o ‘caçador de pés’, que atuava como announcer do evento, interrompeu a luta ainda no meio do primeiro round e decidiu cancelar o combate, em um episódio que pegou os atletas de surpresa.
Em entrevista exclusiva ao SUPER LUTAS, Maurício Boni explicou que entrou bastante motivado para o confronto, mas adotou uma estratégia inicial mais cautelosa, buscando estudar o adversário e dosar o ritmo nos primeiros momentos da luta. No entanto, segundo o peso pesado, a postura de Leleco Guimarães mudou rapidamente o rumo do combate.
“Eu tava muito animado pra brigar. Só que quando começou o combate, realmente a minha estratégia era começar um pouco menos acelerado, marcando um pouco, dando uma minada. Só que o meu adversário, ele começou a dar tapa, ele começou a fugir da luta, e eu vi que ele não queria brigar. Várias vezes eu falava pra ele: ‘vamos sair na porrada, vamos sair na porrada’’, Infelizmente eu tenho esse problema aí que eu não dou conta de bater uma pessoa que nitidamente ela não tá querendo aquilo ali.”, Disse Maurício.
Boni também avaliou que a melhor decisão teria sido permitir que o primeiro round chegasse ao fim antes de qualquer intervenção. Na visão do lutador, o árbitro poderia ter usado o intervalo para orientar os corners e dar instruções aos atletas. Durante o combate, ele relata que chegou a ficar dividido mentalmente, já que não queria aproveitar a situação para golpear um adversário que, segundo ele, demonstrava não ter intenção de avançar.
“Eu acho que o que deveria ter acontecido era o árbitro deixar o primeiro round acabar, passar as instruções pros corners, pro corner dele dar uma orientação pra ele, pro meu corner me dar uma orientação, porque no meio da luta eu ficava pensando, caraca, o cara não quer, eu não vou fazer isso, que eu acho uma coisa desonrosa. Se ele não queria, beleza. Só que eu não consigo ter essa maldade de primeira, de o cara baixar a guarda, o cara não querer vir pra cima e eu sair pegando.”, continuou Boni.
Apesar da postura cautelosa, Boni destacou que chegou a conectar golpes reais durante a curta duração da luta. O atleta afirmou que conseguiu causar inchaço nos dois olhos de Guimarães e abriu um corte na bochecha do adversário logo no primeiro soco. Ainda assim, ao perceber que o rival seguia evitando o confronto, ele tentou incentivá-lo a trocar golpes, chegando inclusive a baixar a guarda e permitir que fosse atingido.
“Eu botei algumas mãos nele, que não foi de mentira, eu bati. Os dois olhos deles ficaram inchados, eu abri o corte na bochecha dele logo no primeiro soco, então não tava sendo de mentira da minha parte, mas quando ele passou a não querer lutar, eu queria chamar ele, tanto que eu abaixei a guarda, deixei ele dar um soco na minha cara, eu falei: ‘Vamos, vamos sair na porrada, vamos, pelo amor de Deus, eu não quero passar por isso’, e mesmo assim, infelizmente, ele não quis.”, explicou o peso pesado.
Por fim, o lutador da TFT afirmou não entender os motivos que levaram o adversário a agir daquela forma. Boni disse não saber se Guimarães enfrentava algum problema pessoal ou se simplesmente não queria lutar, mas reforçou que entrou no evento totalmente disposto a competir. O peso pesado também pediu desculpas aos fãs que criaram expectativa para o confronto e admitiu estar profundamente frustrado com o desfecho da situação.
“Eu não sei qual o motivo dele, se ele tava passando por algum problema, se ele não queria, eu não entendi porque ele veio fazer isso, mas da minha parte, eu queria, eu tô aqui na vontade de brigar. Eu peço desculpas aí pra quem acompanhou, eu sei que muita gente gerou expectativa… Um sonho, cara, tô assim, vontade de enfiar dentro do buraco, e realmente tô arrasado, mas infelizmente é pensar na próxima e vamos ver o que vai virar isso aí. Deus sabe que no meu coração não teve maldade, se foi bom ou ruim, se foi positivo ou negativo, eu fiz o que eu achei que deveria ter feito.”, concluiu o atleta da TFT.