
Alex Poatan após derrota no UFC 313 (Foto: Instagram/UFC Canada)
A traumática derrota de Alex Poatan para Cyril Gane na luta co-principal do UFC Casa Branca não trouxe apenas a esperada tristeza do público brasileiro, mas também deu chamou atenção a uma grande polêmica. Atingido por supostos golpes ilegais na nuca, o Índio Pataxó veio a público para mostrar sua revolta com a atuação do árbitro Herb Dean ao longo do confronto.
O estadunidense rebateu às alegações recentemente, justificando a decisão. Neste contexto, quais os riscos representados por ataques nessa região?
Golpes direcionados à parte posterior da cabeça são proibidos nas regras unificadas do MMA devido ao risco potencial de lesões graves em estruturas neurológicas sensíveis, localizadas na região do encontro entre o crânio e a coluna cervical.
Poatan machucado após ser nocauteado por Gane no UFC. Foto: Reprodução/X/UFC
A área da nuca fica próxima ao tronco encefálico, responsável por funções vitais como respiração, frequência cardíaca e nível de consciência. Por mais que nem todo ataque na região provoque ferimentos graves, impactos fortes e repetidos podem aumentar o risco de concussões, danos neurológicos, lesões cervicais, perda de coordenação motora, tontura intensa e, em alguns casos, sequelas permanentes.
Além do risco imediato de nocaute ou desorientação, golpes na parte posterior da cabeça podem gerar movimentos bruscos de aceleração e desaceleração do cérebro dentro do crânio, gerando traumatismos cranioencefálicos. Por esse motivo, árbitros são orientados a interromper ou advertir atletas quando identificam ataques à região considerada ilegal pelas regras.
Many feel the guy who did this to Prichard Colon should get jaiI time, what do you think? pic.twitter.com/seO2YQQ7VC
— TaraBull (@TaraBull) August 4, 2024
Conhecidos como rabbit punches fora do Brasil, ataques na região posterior da cabeça já foram tema de grandes discussões no mundo dos esportes de combate. O principal episódio aconteceu em outubro de 2015, quando o boxeador porto-riquenho Prichard Colón foi atingido diversas vezes na nuca por Terrel Williams, que chegou a perder um ponto pelas infrações.
Nos rounds finais, Colón começou a apresentar sinais preocupantes. Segundo relatos da transmissão e de familiares, ele informou que estava tonto e sentia dores na parte de trás da cabeça. Após a luta, teve dificuldades para caminhar, vomitou e perdeu a consciência no vestiário. Levado às pressas ao hospital, foi diagnosticado com uma hemorragia cerebral e precisou passar por uma cirurgia de emergência para aliviar a pressão intracraniana.
O pugilista permaneceu em coma por 221 dias. Posteriormente, entrou em estado vegetativo persistente, tornando-se dependente de cuidados integrais.
Embora não exista um consenso de que as sequelas foram causadas exclusivamente pelos golpes ilegais, o caso tornou-se uma referência mundial nos debates sobre a segurança dos esportes de combate.
H. Dean (foto) é figura carimbada nos eventos do UFC. Foto: Reprodução/Twitter @HerbDeanMMA
Visivelmente revoltado com a postura do árbitro, Alex Poatan chegou a pedir o apoio de demais atletas do Ultimate para mobilizar a empresa a proibir que Herb Dean volte a trabalhar no evento. De acordo com ele, todos os lutadores e lutadoras estão sujeitos a erros por parte do estadunidense.
“Ele não foi sujeito homem. Ele não deveria estar arbitrando aquela luta. Na verdade deveria ser punido. Deveria responder judicialmente. Um cara desse, os amigos dele, os filhos, os sobrinhos olham pra ele e pensam: ‘é um covarde’. Não é um profissional de verdade e não merecia estar ali” disse num pronunciamento em vídeo.
“Isso só vai mudar quando os lutadores brigarem para tirar o árbitro que cometem esse tipo de erro, vamos evitar antes que aconteça o mesmo com vocês! Temos força para isso! Eu garanto”, escreveu posteriormente numa publicação no Instagram, considerando até mesmo ir à justiça.