A saúde mental é um tópico cada vez mais discutido no MMA mundial. Ex-campeão dos médios (até 83,9 kg) e uma das maiores estrelas da história da organização, Israel Adesanya fala sobre o assunto há anos e, recentemente, abriu o jogo sobre como o uso de alucinógenos, paralelamente à terapia, o ajudaram ao longo da carreira.
Em participação recente no podcast ‘Pound 4 Pound’, o nigeriano abriu o jogo sobre uma experiência que teve com cogumelos alucinógenos antes da revanche contra Alex Poatan no UFC 287, em abril de 2023, quando nocauteou o brasileiro e reconquistou o cinturão dos médios.
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“Na luta contra Alex Pereira em Miami, eu tive três viagens gigantes de cogumelo no banho nas quais eu consegui simplesmente focar. É diferente. Eu não vou tão fundo, é mais como se eu conseguisse me sentir. Eu consigo me sentir mais profundamente. Não sei se são os ancestrais ou algo do tipo, mas eu conseguia me sentir em um nível no qual nunca me senti antes. Escrevi alguma coisa no espelho, não consigo lembrar o que era agora, mas tenho um vídeo disso. Escrevi no meu espelho: ‘a maior volta por cima da história do UFC e foi feita por mim’, alguma m**** do tipo”, contou.
Adesanya deixou claro que a experiência antes da luta contra Alex Poatan não foi singular. O nigeriano afirmou que gosta de utilizar substâncias psicodélicas para alterar seus sentidos e se conectar com o seu eu interior.
“Eu mexo com psicodélicos. Gosto de alterar meu estado de vez em quando só porque sinto que aprendo com perspectivas diferentes e tiro as vendas dos olhos. Mesmo só com os comestíveis, você consegue sentar e ir fundo. Você consegue mergulhar fundo dentro de si mesmo, se permite meditar e percebe que toda a m**** que você descarregou está lá se acumulando”, explicou.
Substâncias alucinógenas não foram o único meio utilizado por Israel Adesanya para tal conexão interior. O ex-campeão dos médios explicou como a terapia o ajudou a lidar com conflitos internos amplificados após sua estreia no UFC.
“Eu voltei para casa e, veja, eu não estreei no UFC ganhando 10 mil pela luta e 10 mil pela vitória como todo mundo. Eu fiz seis dígitos e ainda ganhei um bônus de US$ 50 mil, roubei o show de Yoel Romero e Luke Rockhold. Todos estavam falando sobre mim, eu estava no topo do mundo, mas, p****, cheguei em casa e desmontei. Não entendia. Foi aí que comecei a fazer terapia, porque eu estava mal. Eu sentia que não deveria estar triste, me sentia culpado por estar triste. Por que eu estava depressivo? Depois de uma vitória na estreia no UFC. Eu descobri que era pelos estímulos: Você é o cara, tudo aquilo, luz, câmeras, ação e de repente você vai para casa e está sentado sozinho no escuro do seu quarto sem estímulo. É igual café, que te coloca para cima, mas quando passa o efeito você desmonta”, exemplificou.
O acompanhamento psicológico auxiliou Israel Adesanya não apenas no início de sua carreira no MMA, mas também atualmente, quando já se aproxima do fim de sua trajetória como lutador.
“Há mais na vida do que a luta e isso é algo que eu sempre tive no meu subconsciente e sempre me prendi, porque não quero ser um daqueles caras que quando passa do auge e deveria parar ficam querendo mais uma. Algumas pessoas não conseguem deixar os holofotes, ficam viciados pelo brilho”, finalizou.
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