
Modelo de luva do UFC. Foto: UFC News / twitter
O desfecho da luta principal do UFC 321, realizado no último sábado (25), em Abu Dhabi, trouxe à tona uma velha discussão na comunidade do MMA: o formato das luvas do Ultimate. O duelo entre Tom Aspinall e Ciryl Gane terminou ainda no primeiro round, sem resultado, após o francês acertar uma dedada acidental no olho do campeão, o que gerou críticas sobre como o design atual do equipamento facilita esse tipo de infração.
Embora seja consenso que o formato das luvas contribui para o problema, o UFC já tentou corrigir a questão. Em 2024, a organização apresentou um novo modelo, apelidado de ‘3Eight’ e ‘5Eight’, que prometia reduzir incidentes do tipo. Além de minimizar as dedadas, as novas luvas visavam diminuir fraturas nas mãos e apresentavam um design mais leve, fino e ergonômico, eliminando costuras que poderiam causar cortes.
A estreia do novo modelo aconteceu no UFC 302, em 1º de junho, mas a experiência durou pouco. Apenas cinco meses depois, no UFC 309, em 17 de novembro, o modelo foi abandonado após reclamações de vários atletas. Um dos principais críticos foi Sean Strickland, que detonou o equipamento durante o media day do evento:
“Elas são uma m****. Podemos falar com as pessoas que fizeram essas luvas? Vocês já estiveram em uma luta na p**** da vida de vocês? Parecia uma boa ideia, mas é uma m****. Vocês deixaram a bola cair nessa”, disparou o ex-campeão dos médios.
Strickland não foi o único. Outros atletas, como Islam Makhachev, também reclamaram da rigidez das novas luvas, alegando que elas aumentavam o risco de cortes durante as lutas. O norte-americano, porém, discordou dessa avaliação:
“Se você sofre cortes por ser atingido na p**** da cabeça, não seja atingido na p**** da cabeça. Você acerta dedadas porque abre a m**** da mão. Então, não abra suas mãos e não vai acontecer. As pessoas criam problemas que não existem”, rebateu.
O tema, no entanto, não é novo. Em 2010, o presidente do UFC, Dana White, já havia admitido que a organização trabalhava em um novo modelo que curvasse naturalmente os dedos dos atletas, evitando que ficassem apontados diretamente para frente.
“Já começamos a desenvolver uma luva que realmente curve sua mão. Assim, você pode abrir a mão, mas os dedos não ficam retos, apontando para o rosto do adversário”, explicou Dana, em entrevista à ESPN Los Angeles.
Apesar das iniciativas, White também defende que a educação dos lutadores é fundamental para evitar o problema:
“Os caras precisam manter as mãos fechadas. Você não pode se aproximar do rosto com as mãos abertas. Simples assim.”, concluiu o presidente do UFC.
Já o comentarista Joe Rogan tem outra proposta. Em fevereiro de 2024, após uma luta entre Henry Cejudo e Song Yadong, no UFC Seattle, também ser interrompida por uma dedada, o comentarista sugeriu uma solução prática: cobrir as pontas dos dedos das luvas.
“Não há razão para não cobrir os dedos. Bastaria uma camada de couro sobre as pontas, não atrapalha o grappling nem o golpe. Assim, se o olho for atingido, o contato será rombo, não algo que penetre o globo ocular”, afirmou Rogan.
O comentarista ainda completou, reforçando a importância da proteção adicional:
“Cubra todos os dedos e adicione uma camada de espuma macia. Mesmo que haja um toque acidental, você não vai ter uma unha entrando no olho do adversário.”, concluiu.