
Holloway (esq) e Do Bronx (dir) se enfrentaram no Canadá. Foto: Divulgação
Às vésperas de subir ao octógono mais uma vez e ter a chance de se tornar o novo campeão BMF nos leves (até 70,3 kg.), Charles do Bronx também terá a oportunidade de vingar uma das derrotas mais anticlimáticas de toda a sua carreira ao medir forças com Max Holloway neste sábado (7). Apesar de pouco falado entre os fãs e mídia por razões óbvias, o primeiro confronto entre os dois aconteceu há mais de uma década, em agosto de 2015. O duelo fez parte da luta principal do UFC Saskatoon, no Canadá.
Na ocasião, o havaiano com então 24 anos vivia uma sequência de seis triunfos consecutivos no Ultimate quando se deparou com um do Do Bronx apenas dois anos mais velho e que tinha derrotado quatro adversários em sequência. Na época, os dois ainda estavam galgando posições no ranking da divisão dos penas (até 65,7 kg.), dominada por José Aldo e perto de viver o auge da ascensão meteórica de Conor McGregor.
Apesar da expectativa gerada, o confronto não durou muito e teve um fim inconclusivo. O brasileiro iniciou o embate sendo o agressor e obrigando o oponente a andar para trás e trabalhando boas joelhadas a partir do clinch do muay thai. Já Holloway se movimentava bastante lateralmente e atacava o adversário com golpes na linha de cintura e jabs no rosto.
Ainda durante as primeiras interações, Charles realizou uma entrada de queda bem defendida pelo Abençoado, e neste momento o combate chegou ao fim. O futuro campeão dos leves (até 70,3 kg.) acusou uma surpreendente lesão no pescoço e não pôde continuar, de modo que o árbitro Herb Dean interrompeu o confronto aos um minuto e 39 segundos do primeiro round.
Herb Dean interrompe a luta após lesão de Do Bronx. Foto: Jeff Bottari/UFC
De acordo com o brasileiro, a lesão deixou metade de seu corpo dormente, ao ponto que ele precisou deixar o octógono de maca e ir imediatamente ao hospital para passar por exames. O momento foi tão impactante que desde então, a mãe do faixa-preta de jiu-jítsu evita acompanhar os combates do filho. Além disso, o revés reforçou o “mau presságio” de competir no Canadá, que só seria exorcizado de vez pelo Leão Embaçado muitos anos depois.
Max Holloway em encarada com Charles do Bronx. Foto: Reprodução/Instagram.
A carreira dos dois tomou caminhos brilhantes após o combate. Holloway se manteve nos penas (até 65,7 kg.) e se tornaria o campeão linear menos de dois anos depois, ao nocautear José Aldo em junho de 2017. Mesmo depois de perder a coroa para Alexander Volkanovski, ele se manteve como uma figura dominante na divisão, encarando o australiano em mais duas oportunidades e disputando o título novamente contra Ilia Topuria.
Ele subiu de peso após o primeiro revés por nocaute na carreira e desde então está invicto nos leves (até 70,3 kg.). O Abençoado nocauteou Justin Gaethje no UFC 300 e vingou duas derrotas para Dustin Poirier na luta de aposentadoria do Diamante no ano passado.
Já Charles sofreu várias derrotas após o primeiro confronto e se viu obrigado a subir para os leves (até 70,3 kg.) depois de ficar evidente sua dificuldade para bater o peso da categoria. A partir de então, ele iniciou uma das trajetórias mais impressionantes da história do esporte, ao atravessar nomes como Michael Chandler, Dustin Poirier e Justin Gaethje e se sagrar o novo campeão após a aposentadoria de Khabib Nurmagomedov.
A derrota para Islam Makhachev não diminuiu a importância do Leão Embaçado, que se manteve entre os melhores do mundo com triunfos contra Beneil Dariush e Mateusz Gamrot. Recentemente, ele chegou a encarar Ilia Topuria pela oportunidade pelo cinturão após o russo migar para os meio-médios (até 77,1 kg.).