Definitivamente, a política interna do UFC não tem sido fácil para Norma Dumont. Terceira colocada no ranking da categoria peso galo (até 61,2 kg.) e numa sequência de seis vitórias seguidas, a mineira vem passando por dificuldades para conseguir adversárias favoráveis à disputa de cinturão já há alguns anos. Além disso, também assistiu a ascensão de diversos outros nomes ao topo da categoria. Apesar disso, o confronto contra Joselyne Edwards neste sábado (25) surge como mais uma oportunidade para aumentar a série de triunfos e enfim se tornar a desafiante número um.
Em meio a este contexto caótico, durante entrevista exclusiva ao SUPER LUTAS, a brasileira falou sobre o confronto do próximo final de semana e também deu detalhes interessantes sobre suas aspirações ao título mundial.
Apesar de ser a melhor ranqueada a nunca ter disputado o cinturão, Norma não teve a oportunidade de ser a primeira desafiante de Kayla Harrison, que tomou a categoria de assalto ao finalizar Juliana Peña e sagrar-se campeã em junho do ano passado. Na verdade, Amanda Nunes retornou da aposentadoria para formalizar um confronto com a antiga parceira de treinos, inicialmente planejado para o UFC 324. Com a lesão da estadunidense, surgiu a oportunidade de um duelo 100% verde e amarelo pelo título interino, algo que teria sido negado pela Leoa.
“Tenho uma boa relação com o UFC. Eles inclusive tentaram um cinturão interino com a Amanda, existiu essa possibilidade. Na verdade, foi ela quem preferiu esperar a Kayla Harrison. Em conversas de bastidores eu ouvi que primeiro levaram a proposta para ela, e ela disse não. Ela poderia escolher lutar pelo interino agora, mas preferiu esperar a Kayla. Entendo os objetivos dela, mas óbvio que fiquei frustrada. Acho que se você quer lutar, tem que vir lutar com todo mundo e ponto final. Mas, tudo bem. Reconheço que é uma luta que vai vender mais”, afirmou.
Norma Dumont nos bastidores do UFC. Foto: Reprodução/Facebook/UFC
O duelo deste sábado (25), evento co-principal da noite, exemplifica muito bem a situação vivida pela brasileira. Originalmente, Norma mediria forças com Yana Santos, quinta colocada no ranking da categoria. A russa acabou sendo obrigada a deixar o card por conta de uma lesão e agora ela encara Joselyne Edwards, que por sua vez ocupa 11ª colocação. Apesar do inconveniente, nada disso abala a confiança da lutadora.
“Já estou acostumada. Começo o camp com uma adversária e depois muda. Às vezes, muda a data. Os jogos da Yana e da Joselyne são completamente diferentes, mas como sou uma atleta muito versátil, consigo adaptar rápido o meu estilo de jogo. Para mi, tá tranquilo. No final das contas, agora não faz muita diferença quem vai estar do outro lado do octógono. Me adapto rápido e faço meu trabalho”, garantiu.
Joselyne Edwards em vitória sobre Priscila Pedrita no UFC Vegas 109. Foto: Reprodução/UFC
Além de ter sido a segunda vez que um duelo com Yana cai por terra, a mineira viveu situação semelhante em seu último confronto. Na ocasião, ela iria enfrentar Raquel Pennington, que se retirou do combate por uma lesão no pescoço. Dessa forma, Norma acabou medindo forças com Ketlen Vieira e vencendo por decisão dividida. Em meio a esse cenário turbulento, ela acredita que a luta deste fim de semana é uma oportunidade para se manter no radar do Ultimate.
“Basicamente, é mais uma oportunidade de vitória, de estar no microfone, ser vista e ganhar meu salário. Muitos me criticaram por aceitar um combate com alguém tão abaixo do ranking, mas não tenho que aceitar nada. É meu trabalho. A divisão está acontecendo para outras atletas, então não posso ficar parada esperando. Ano passado já fiquei um ano sem lutar porque ninguém queria lutar comigo. Não é interessante ficar fora. Não preciso provar nada para ninguém, só mostrar meu trabalho e evoluir dentro do cage. Em questão de posição, não me volui nada, mas não preciso ser impulsionada para o title shot, eu já sou a próxima. Na verdade, estou apenas me mantendo ativa”, concluiu.