Com o ‘quase’ de Taila contra Shevchenko, relembre outras ‘pedras nos sapatos’ de lendas do UFC

Vamos voltar no tempo e ‘reviver’ adversários indigestos nas carreiras de grandes ícones do Ultimate

A. Nunes foi destronada por J. Peña no UFC 269. Foto: Reprodução/Instagram

Azarão nas casas de apostas, Taila Santos esteve perto de fazer história e destronar, no UFC 275, uma verdadeira lenda do MMA. Derrotada pela campeã dos moscas (até 56,7kg.) na decisão dividida dos juízes, a catarinense entrou para a lista de adversários indigestos a ícones do UFC. A quirguistanesa, que esteve próxima de ser superada no último sábado (11) não está sozinha quando o assunto é ‘pedras nos sapatos’.

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Apesar de Valentina ter vencido e atingido a marca de sete defesas de cinturão, nem todas as lendas tiveram a mesma ‘sorte’. Nomes consagrados como Anderson Silva e José Aldo acabaram tendo seus reinados encerrados diante de rivais, por vezes, desacreditados.

Sem mais delongas, confira campeões que tiveram adversários indigestos dentro do UFC.

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1) Anderson Silva x Chris Weidman (2013)

C. Weidman superou A. Silva duas vezes. Foto: Reprodução/Instagram

Considerado por muitos como o melhor lutador de todos os tempos, Anderson Silva teve um dos reinados mais longos na história do Ultimate. Genial, cirúrgico e com a fama de imbatível, o brasileiro teve sua primeira derrota na empresa diante de Chris Weidman até então invicto, mas com poucas chances de vitória – ao menos no papel.

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Contra o norte-americano, Silva usou e abusou das suas tentativas de atrair o adversário ao erro. A estratégia de ‘Spider’ acabou dando errado e a lenda acabou amargando um duro nocaute ainda no primeiro round, fazendo a festa do adversário.

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Vale lembrar: em 2010, Anderson Silva e os fãs brasileiros viveram um verdadeiro drama no primeiro encontro de ‘Spider’ com Chael Sonnen. Na ocasião, o paulista foi dominado por quase cinco rounds, mas encontrou a vitória nos minutos finais, finalizando o norte-americano e defendendo o título dos médios (até 83,9kg.). Na revanche, cerca de dois anos depois, atropelo da lenda tupiniquim, que nocauteou no segundo round.

2) Jon Jones x Alexander Gustafsson (2013)

J. Jones (esq.) superou A. Gustafsson em duas oportunidades. Foto: Reprodução/Facebook ufc

Não é exagero afirmar que Jon Jones foi absoluto nos meio-pesados (até 93kg.) durante grande parte de sua trajetória na categoria. Atleta completo, ‘Bones’ sabia como poucos controlar as ações e superar desafiantes fazendo parecer fácil qualquer compromisso.

Depois de defender o cinturão em cinco oportunidades, chegava a vez de Alexander Gustafsson ‘tentar a sorte’ contra o já consagrado campeão. A luta contra o sueco, segundo o próprio Jon, acabou mudando sua vida para sempre.

Foram 25 minutos de luta franca. Mesmo como azarão, Gustafsson fez história e, pela primeira vez, conseguiu expor aquele que, para muitos, nunca poderia ser derrotado.

É bem verdade que, na decisão dos juízes, Jones saiu como vencedor, e de forma unânime. O sueco, porém, havia conseguido algo nunca antes feito.

Em 2021, ‘Bones’ e Alexander foram homenageados pelo Ultimate. O confronto no UFC 165 foi inserido no ‘Hall da Fama’ na categoria dos melhores combates na história da empresa.

3) Georges St-Pierre x Johny Hendricks (2013)

Hendricks (dir) foi derrotado por St. Pierre (esq) em 2013. Foto: Reprodução/Facebook UFC

Para muitos, Georges St-Pierre representa um dos melhores representantes do MMA de todos os tempos. Estratégico, contundente e extremamente disciplinado, o atleta fez história ao enfileirar vítimas ao longo de sua passagem pela organização.

Em 2013, porém, diante de Johny Hendricks, um lutador famoso pelo poder nos punhos, a lenda canadense viveu um de seus desafios mais duros na carreira. Por 25 minutos, o campeão dos meio-médios (até 77kg.) viveu altos e baixos e superou o adversário na decisão dividida, resultado que, até nos dias de hoje, gera discussões quanto ao acerto ou erro dos juízes.

Após a batalha contra Hendricks, GSP decidiu encerrar sua carreira nos meio-médios. O atleta, porém, voltou à ativa em 2017, nos médios, e em disputa imediata pelo título, finalizou o então campeão Michael Bisping, entrando para o seleto grupo de combatentes que somaram dois títulos em divisões diferentes na empresa.

4) Ronda Rousey x Holly Holm (2015)

H. Holm (esq.) derrotou R. Rousey (dir.) em 2015. Foto: Reprodução/YouTube UFC

Uma das principais responsáveis pela difusão do MMA feminino, Ronda Rousey também está na lista de ‘ícones com rivais indigestos’. Lenda na modalidade, a norte-americana vivia seus dias de ouro no UFC, até ser escalada para enfrentar Holly Holm.

Ex-campeã mundial de boxe, a ‘Filha do Pastor’ era azarão de forma histórica na empresa. Desacreditada, a norte-americana precisava calar os críticos e provar que poderia chocar o mundo contra a campeã dos galos – e ela conseguiu.

Com estratégia perfeita, Holly conseguiu usar a trocação e frustrar a luta agarrada de Ronda. Aos poucos, a antiga pugilista feria Rousey até que a vitória veio de forma majestosa, um nocaute que apagou a lenda diante de milhões de espectadores.

A vitória de Holm até hoje segue como uma das maiores zebras na história do MMA.

5) José Aldo x Conor McGregor (2015)

J. Aldo desaba após ataque de C. McGregor. Foto: Reprodução/YouTube UFC

No pódio dos melhores representantes dos penas (até 65,7kg.) de todos os tempos, José Aldo também encontrou sua ‘pedra no sapato’ na carreira. Ícone das artes marciais mistas, o ‘Campeão do Povo’ foi o responsável pela consagração de Conor McGregor, em 2015.

Por meses, o irlandês usou e abusou das provocações, tentando entrar na ‘mente’ do então campeão. No fatídico UFC 194, o manauara tentava atingir a marca de oito defesas de título, mas acabou perdendo a coroa de forma trágica, sendo nocauteado em apenas 13 segundos.

Após a vitória, a fama de McGregor atingiu patamares até o momento não alcançadas. O ‘Notório’ se tornou o maior fenômeno de popularidade do esporte, chegando, inclusive, a se tornar o primeiro duplo campeão da empresa.

6) Dominick Cruz x Cody Garbrandt (2016)

C. Garbrandt (esq.) em luta com D. Cruz (dir.). Foto: Reprodução/YouTube UFC Brasil

Outro ícone do MMA a ter seu reinado encerrado de forma trágica foi Dominick Cruz, grande referência no peso galo (até 61,2kg.). Lenda da divisão, o norte-americano impressionava por sua movimentação e capacidade de frustrar as investidas dos adversários.

O talento de Cruz, porém, foi ofuscado no UFC 207, quando o atleta esteve diante do provocador e talentoso e ‘faminto’ Cody Garbrandt. Na luta, o desafiante protagonizou uma das performances mais impressionantes de um atleta em disputas de cinturão.

Como em um balé, o atleta fez com que Dominick provasse do seu próprio veneno, fazendo com que o campeão desperdiçasse diversos golpes e chocando parte dos espectadores. Ao fim de 25 minutos de show, Garbrandt foi declarado vencedor na decisão unânime dos juízes.

7) Amanda Nunes x Julianna Peña (2021)

J. Peña derrotou A. Nunes no UFC 269. Foto: Reprodução/Instagram

No início de 2021, poucos poderiam imaginar que alguém pudesse escrever sobre uma eventual vitória de Julianna Peña sobre a uma das melhores lutadoras de todos os tempos, mas foi o que aconteceu.

No grandioso UFC 269, Amanda Nunes subiu no octógono para tentar sua sexta defesa de cinturão diante da ‘limitada’ venezuelana. A ‘Leoa’ começou o confronto dando show no primeiro round e dando sinais de que liquidaria a fatura em breve. No segundo assalto, porém, uma tragédia pôde ser acompanhada pelos fãs brasileiros.

Em um momento de ‘apagão’, a baiana permitiu que a desafiante se recuperasse do castigo no primeiro assalto e passou a ser vítima dos ataques da oponente. Em dado momento do segundo round, Amanda acabou caindo e teve seu reinado encerrado com uma finalização, até hoje, dura de se digerir.

Podcast #68: Adesanya, Poatan e Volkanovski: Tudo sobre o UFC 276