Anderson detalha depressão pós-lesão: ‘Foram os piores meses da minha vida’

Ex-campeão se mostra aberto à nova luta pelo título, mas revela prioridade a Ronaldo Jacaré

A. Silva (foto) enfrentará Diaz em janeiro. Foto: Josh Hedges/UFC

A. Silva (foto) enfrentará Diaz em janeiro. Foto: Josh Hedges/UFC

Anderson Silva está cada vez mais perto de fazer o tão aguardado retorno ao octógono do UFC. No entanto, muito antes de oficializar o combate contra Nick Diaz para o dia 31 de janeiro de 2015, na luta principal do UFC 183, o brasileiro teve de superar uma depressão após a grave lesão na perna que sofreu na segunda luta contra Chris Weidman, em dezembro de 2013.

O ex-campeão dos médios confessou que temeu seriamente pela continuidade de sua carreira como lutador profissional e afirmou que somente conseguiu se recuperar graças ao apoio que recebeu de seus amigos e família. “Foram os piores meses da minha vida. Quando caiu a ficha, achei que minha carreira tinha acabado. Passaram milhares de coisas pela minha cabeça. Tem gente que diz que depressão é coisa de boiola, mas fiquei em depressão, fiquei mal. Talvez eu não voltaria se não tivesse o apoio das pessoas que tenho. Isso fez com que eu tivesse forças para continuar e voltar”, contou “Spider”, em entrevista coletiva realizada no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (14).

Quase dez meses após a fatídica lesão, Anderson conta que agora vê o acontecimento com uma perspectiva diferente. “No começo, para mim foi um drama. Mas agora não mais. Acontece. É como um trabalho comum, quando você tem um dia de trabalho que não foi bom. Nas minhas duas últimas lutas, foi isso que aconteceu. Estou renovando uma fase da minha vida que passou e foi boa como experiência. Não acredito que [a lesão] irá me atrapalhar em nada”, explicou.

Anderson Silva sofreu a última grave lesão de 2013 no UFC. Foto: Josh Hedges/UFC

Anderson diz ter superado psicologicamente a lesão que sofreu. Foto: Josh Hedges/UFC

Aos 39 anos de idade, Anderson disse ter sofrido pressão de sua família para pendurar as luvas de vez. “Estavam fazendo manifestação na minha casa. E, agora, a manifestação continua. Todo mundo pedindo ‘para, para, para!’. Estou brincando. Eles entendem que e uma coisa que eu amo fazer. Essa coisa de voltar é porque eu acho que deixei alguma coisa escapar durante esse caminho todo lutando. As últimas lutas eu deixei escapar alguma coisa. E estou em busca disso de novo. Estou treinando muito, muito focado, e eles entendem isso”, contou.

No entanto, após certa falta de clareza no que diz respeito às suas intenções futuras dentro do UFC, o brasileiro esclareceu seus planos e disse não descartar uma nova luta pelo cinturão, embora isso não seja sua prioridade. “Eu não mudei de ideia, não. O que acontece é o seguinte: na minha equipe, nós temos o [Ronaldo] Jacaré; na Black House, temos o Lyoto [Machida], e eu passei por essa fase e tenho que respeitar isso. O Jacaré está se destacando, tem todo o meu apoio para lutar pelo cinturão. Eu estou dentro do UFC, mas dessa fase eu já passei. Então, eu não tenho essa pretensão de disputar o cinturão agora. Eu acho que eu ainda tenho que me credenciar novamente para que eu possa ter essa oportunidade de novo”, detalhou.

Algo semelhante Anderson afirmou sobre seu único algoz no UFC, Chris Weidman, contra quem não descarta um novo combate, embora isso não esteja em seus planos. “Eu nunca falei dos meus adversários e nem de quem eu gostaria de enfrentar. E eu aprendi no início da minha carreira que você se credencia a chegar onde você deseja, mas você nunca desafia ninguém. Mas eu acho que, como atleta do UFC, as coisas vão acontecer naturalmente. Se eu me credenciar para lutar com ele ou com quer que seja, eu lutaria. Com quem eu não lutaria? Com o Jacaré, que é meu irmão, meu amigo. As coisas vão acontecer naturalmente. Se eu tiver que lutar com o Weidman, eu vou lutar, sem problemas, mas não gosto de ficar desafiando”, esclareceu.

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