
Dana White é presidente do UFC. Foto: Reprodução/Instagram/UFC
Ex-campeão dos meio-médios (até 77kg.) do UFC, Tyron Woodley usou sua vitória contra Darren Till no UFC 228, em setembro de 2018, para lançar uma faixa de rap intitulada ‘I’ll Beat Yo Ass’ — ‘Vou bater na sua b*nda’, em tradução literal, música interpretada como uma resposta direta às críticas públicas de Dana White, presidente da organização.
Em entrevista ao podcast ‘Verse Us’, o lutador confirmou o alvo da letra. A faixa, que misturava autoconfiança e insubmissão, surgiu após anos de tensão entre os dois, marcada por declarações polêmicas e questionamentos sobre o marketing do atleta.
“Por isso que fiz aquela música. Se você ouvir a letra, era para o Dana White. Eu não podia dizer que queria bater nele, mas a vontade era grande, porque ele me fez parecer um idiota*, revelou Woodley.
No evento realizado em Dallas, nos Estados Unidos, Tyron dominou Till com uma performance considerada ‘histórica’ pela mídia especializada: 74 golpes conectados contra apenas um do adversário antes do final no segundo round. Após o triunfo, o lutador anunciou o lançamento de ‘I’ll Beat Yo Ass’, faixa produzida em parceria com o rapper Wiz Khalifa.
Dana White (esq.) se irritou com Woodley (dir.). Foto: Reprodução / YouTube
Woodley detalhou o contexto por trás da música e revelou um episódio específico que o motivou. Durante uma transmissão ao vivo, Dana White criticou publicamente o então campeão, sugerindo que ele evitava confrontos difíceis. Na ocasião, os ex-lutadores e analistas Michael Bisping (ex-campeão dos médios) e Kenny Florian (veterano e comentarista) acompanhavam o presidente do UFC no estúdio.
“Todo mundo (Bisping e Florian) estava rindo, e eu pensei: ‘Ha ha ha, vou bater em vocês dois’ — não o Florian, ele é meu parceiro —, mas sim, Dana White, que me fez parecer um idiota. Quando fui ao ar, não pude me defender. Alguém disse que cortaram meu microfone. Me avisaram no ouvido: ‘Você não pode responder. Não pode falar nada’”, acrescentou.
Apesar da frustração, o campeão optou por canalizar a raiva em criatividade. Inicialmente, planejava executar a música ao vivo durante sua entrada no octógono, mas substituiu ‘I’ll Beat Yo Ass’ por ‘Glory’, de John Legend, como homenagem a protestos contra injustiça racial — inspirado pelo caso de Colin Kaepernick, ex-jogador da NFL.
A faixa ‘I’ll Beat Yo Ass’ (ouça aqui) combina a agressividade típica do rap com metáforas ligadas ao universo das lutas. Trechos como ‘Tryna play me like a joke, I’ll turn your face into a meme’ (‘Tentam me tratar como piada, vou transformar seu rosto em meme’) e ‘You talk slick, but I’m the one who’s really knockin’ heads’” (‘Você fala à toa, mas sou eu quem derruba cabeças’) são relacionadas à declaração de Tyron Woodley sobre Dana White em sua trajetória no UFC.
A letra também menciona ‘cheques não assinados’ — possível crítica aos contratos do UFC — e reforça sua autoconfiança: ‘Four-time champ, still they act like they don’t know my name’ (‘Campeão quatro vezes, ainda agem como se não soubessem meu nome’).