A história do UFC: como foram as origens da maior organização de MMA do mundo

Conheça mais sobre a história do UFC desde os torneios organizados pela família Gracie, até o domínio mundial

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História do UFC tem grandes nomes como protagonistas (Foto: Montagem/SUPER LUTAS)

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O UFC é incontestavelmente a maior organização de MMA do mundo. Mas como foi o caminho até se tornar essa potência e alcançar tais dimensões? Para quem tem interesse em conhecer mais sobre as origens do Ultimate, o SUPER LUTAS viaja no tempo e conta a história do maior evento do planeta, que tem os primeiros capítulos ligados diretamente ao Brasil, com a família Gracie.

As origens do UFC: A influência da família Gracie e o desafio dos estilos

Antes de se transformar no gigante global que conhecemos hoje, sinônimo de arenas lotadas, transmissões para centenas de países e cifras milionárias, o UFC era apenas uma ideia revolucionária, praticamente um experimento social. No início dos anos 90, Rorion Gracie, filho do lendário Hélio Gracie, se juntou ao empresário Art Davie para a criação de um torneio que testasse a eficácia das artes marciais, inspirado nos desafios de Vale-Tudo que a família Gracie promovia no Brasil.

Transformar essa audaciosa ideia em realidade não foi fácil. Rorion Gracie e Art Davie enfrentaram desafios enormes, mas conseguiram convencer investidores e parceiros comerciais a apostarem em um conceito tão radical e com regras ainda indefinidas. Após diversas portas fechadas, a dupla encontrou na Semaphore Entertainment Group (SEG), uma produtora de TV por assinatura, o parceiro ideal para viabilizar o projeto.

Com o acordo fechado, o UFC 1 foi marcado para o dia 12 de novembro de 1993. O evento seria transmitido via pay-per-view por US$ 14,95, prometendo aos fãs uma experiência brutal e inédita, com o slogan provocativo: “Não regras!”.

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UFC 1, Royce Gracie e a noite que redefiniu as artes marciais

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Royce (dir.) parte pra cima de Gegard Gordeau (esq.) na final do UFC 1. Foto: Holly Stein/UFC

No dia 12 de novembro de 1993, a McNichols Sports Arena, em Denver, nos Estados Unidos, recebeu pouco mais de 2.500 pessoas desconfiadas, mas curiosas com o que aconteceria no audacioso torneio que definiria a arte marcial mais eficaz em combate.

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Para muitos, a expectativa era que estilos mais contundentes como o boxe, kickboxing e até mesmo o wrestling, muito popular nos Estados Unidos, levassem vantagem. Quem brilhou naquela noite, no entanto, foi um franzino lutador de 80 kg, vestido com um kimono branco: Royce Gracie, escolhido a dedo pelo irmão mais velho Rorion e por toda a família para representar o jiu-jitsu na competição.

A primeira aparição de Royce entraria para a história. Contra o pugilista Art Jimmerson, que ficou conhecido por entrar no octógono com apenas uma luva, o brasileiro não teve dificuldades para levar a luta para o chão, imobilizar o rival na montada e conseguir a finalização em pouco mais de dois minutos.

Na semifinal, contra o brutal Ken Shamrock, Royce precisou de apenas 57 segundos para deixar o rival inconsciente com um mata-leão, deixando o público em choque.

Na final, contra o holandês Gerard Gordeau, representante do Savate e do Karatê, Royce Gracie repetiu a dose e finalizou a luta com um mata-leão em menos de dois minutos. A mensagem estava clara: o jiu-jitsu brasileiro era a arte marcial mais eficiente do mundo.

O torneio não apenas eternizou Royce Gracie como o primeiro campeão da história do UFC, como representou uma verdadeira revolução nas artes marciais.

Além disso, se o UFC 1 não levou tanto público à arena, foi no pay-per-view que provou seu sucesso, com 86 mil pacotes vendidos, surpreendendo até os próprios criadores, que pensavam no torneio como edição única. Com a repercussão, ficou claro que o UFC poderia se tornar uma série de eventos e, eventualmente, uma das grandes organizações do mundo. Foi o início de uma era.

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A Era das Trevas: UFC à beira da extinção e a virada dos Fertitta

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Dana White e os irmãos Fertitta comandavam o UFC (Foto: Reprodução)

Se o UFC 1 apresentou ao mundo o jiu-jitsu como arte dominante, os eventos seguintes confirmaram, com mais três títulos consecutivos de Royce Gracie. O sucesso, no entanto, veio com um preço alto e o MMA rapidamente se tornou o vilão favorito nos Estados Unidos.

A partir de 1996, o senador John McCain liderou um movimento que classificou os torneios como ‘rinhas de galo humanas’ e quase levou o UFC à extinção.

Ao todo, 36 estados baniram os eventos e as principais operadoras de TV a cabo se recusaram a transmití-los, encolhendo drasticamente o alcance do UFC. Com as vendas despencando e os prejuízos se acumulando, com dívidas de cerca de US$ 44 milhões, a luz no fim do túnel surgiu em 2001.

Os irmãos Lorenzo e Frank Fertitta, empresários de Las Vegas com experiência no setor de cassinos e apaixonados pelos esportes de combate decidiram investir na organização e a compraram por apenas US$ 2 milhões, designando o amigo Dana White como presidente.

Tal mudança representou um ponto de virada na história do UFC. A injeção de capital por parte dos Fertitta, a profissionalização da operação e a liderança agressiva de Dana White deram início a uma reconstrução na imagem da marca. As novas regras unificadas, inspiradas em organizações como o PRIDE, no Japão, foram implementadas para atender às exigências das comissões atléticas, tornando o esporte mais palatável para o grande público.

The Ultimate Fighter e a salvação definitiva

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F. Griffin (dir) ganhou o TUF 1 em luta histórica com S. Bonnar (esq) e depois foi campeão meio-pesado. É membro do Hall da Fama do UFC (Foto: Reprodução Facebook Forrest Griffin)

O investimento dos irmãos Fertitta e a liderança de Dana White deram um rumo positivo ao UFC, mas a organização ainda precisava de exposição massiva para sobreviver. Em 2005, mais uma decisão ousada mudaria para sempre a história do MMA mundial: o investimento em um reality show que levaria a modalidade para milhões de lares norte-americanos.

Assim nasceu The Ultimate Fighter (TUF), programa que confinava aspirantes a lutadores em uma casa, enquanto treinavam com lendas como Chuck Liddell e Randy Couture. A parceria com o canal Spike TV não apenas levou o MMA para o horário nobre da televisão dos Estados Unidos, como serviu para humanizar os atletas.

Mas era na prática que a magia aconteceria. A final da primeira temporada, entre Forrest Griffin e Stephan Bonnar, entraria para a história como “a luta que salvou o UFC”. Transmitida ao vivo e gratuitamente, a batalha de três rounds vencida por Griffin atraiu 3 milhões de telespectadores e fez Dana White declarar: “Isso aqui vai mudar tudo.”

O impacto do sucesso do The Ultimate Fighter foi imediato. As vendas de pay-per-view do UFC saltaram de 50 mil para 500 mil compras em apenas um ano, patrocinadores como Harley Davidson e Bud Light chegaram com contratos milionários e a Spike TV anunciou a renovação do reality por mais cinco temporadas antes mesmo do final da primeira. Tinha início a Era de Ouro do Ultimate.

A Era de Ouro: Expansão Global e o surgimento de superastros

Anderson Silva

Anderson aguarda início de luta. Foto: Reprodução / Twitter

Salvo da falência após o The Ultimate Fighter, o UFC entrou em sua Era de Ouro. Muito investimento em marketing, eventos cada vez maiores e mais profissionais e o surgimento de ícones transcendentais transformaram a organização em uma potência esportiva pronta para romper fronteiras e conquistar novos mercados.

Ainda que a parte organizacional tenha muito peso, os maiores responsáveis pela expansão foram os lutadores. Foi nesta época, por exemplo, que Anderson Silva surgiu como uma verdadeira lenda, dominante no peso médio (até 83,9 kg). Com um estilo único, 16 vitórias seguidas e nocautes espetaculares, o ‘Spider’ se tornou um ícone global e ajudou muito na popularização do esporte no Brasil.

Lenda dos meio-médios (até 77,1 kg) e considerado um dos atletas mais completos de todos os tempos, Georges St-Pierre foi fundamental para tornar o Canadá uma espécie de ‘segunda casa’ para o UFC com nove defesas de cinturão.

Ronda Rousey quebrou barreiras ao se tornar a primeira mulher campeã do UFC, pavimentando o caminho para uma nova geração de lutadoras que antes não viam no esporte uma possibilidade de sucesso.

Além do surgimento de tantas futuras lendas, outro movimento estratégico para consolidar o domínio global do UFC foi a aquisição do PRIDE em 2007. Com a compra, o Ultimate não apenas eliminou seu principal concorrente a nível global, como incorporou outras estrelas ao seu elenco, como Wanderlei Silva, Mirko Cro Cop e Rodrigo Minotauro.

A quantidade de superestrelas e o controle absoluto sobre o MMA mundial consolidaram o UFC como uma potência global. Os eventos passaram a ser transmitidos em mais de 150 países e 30 idiomas, tornando o Ultimate incontestavelmente o maior evento de MMA do planeta.

A consolidação do império: venda bilionária e era das superlutas

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C. Mcgregor (esq) e K. Nurmagomedov (dir). Foto:Reprodução/Twitter UFC

Consolidado como a maior organização de MMA do mundo, o UFC protagonizou na década de 2010 uma expansão ainda mais agressiva. O ápice desse crescimento veio em 2016, quando os irmãos Fertitta anunciaram a estrondosa venda do Ultimate por US$ 4,02 bilhões para o grupo Endeavor (WME-IMG), em um dos maiores negócios da história do esporte. Dana White, mantido no comando operacional, tornou-se o primeiro executivo bilionário do MMA, à frente de uma verdadeira máquina de entretenimento global.

A nova era sob a Endeavor trouxe parcerias comerciais impressionantes, como o contrato de US$ 1,5 bilhão com a ESPN, que garantiu ao UFC presença permanente na principal rede esportiva norte-americana. Mas o verdadeiro motor dessa fase foram as superlutas e seus protagonistas, que transcenderam o esporte e romperam todas as bolhas.

Conor McGregor emergiu como o maior fenômeno comercial da história do UFC. Seu confronto com o invicto Khabib Nurmagomedov em 2018 estabeleceu o recorde absoluto de pay-per-views, com 2,4 milhões de compras, enquanto suas lutas contra Dustin Poirier geraram centenas de milhões em receita. O irlandês provou ser capaz de atrair até mesmo quem nunca havia assistido a uma luta de MMA.

Enquanto McGregor escrevia seu legado, uma nova geração de estrelas surgia para carregar a tocha: Israel Adesanya com seu carisma e habilidades cinematográficas; Charles “do Bronx” Oliveira representando o Brasil com suas reviravoltas espetaculares; e mais recentemente Alex Poatan, demonstrando que o poder de atração do UFC continua gerando novos ídolos globais.

Nem mesmo a pandemia freou o crescimento do UFC. Sendo uma das primeiras organizações esportivas a retomar as atividades, o Ultimate realizou eventos sem público em seu QG, o UFC Apex, em Las Vegas, mantendo a máquina funcionando sem perder o ritmo de crescimento.

Atualmente avaliado em mais de US$ 12 bilhões, presente em mais de 150 países e com planos ambiciosos de expansão, o UFC completou uma jornada extraordinária: de projeto marginal visto com ceticismo a império bilionário do entretenimento esportivo.

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