
Na ordem: Chuck Liddell, Conor McGregor, Alex Poatan, Amanda Nunes e Jon Jones. Foto: Montagem SUPER LUTAS
Com pouco mais de 30 anos de existência, o UFC carrega uma história que se confunde com a do próprio MMA. Nestas três décadas, ídolos foram criados e nomes de várias partes do mundo foram eternizados.
O SUPER LUTAS preparou uma lista com os lutadores mais marcantes da trajetória da organização. Títulos, popularidade, rivalidades marcantes e outros ingredientes ajudaram a criar fenômenos do esporte. Veja a lista e relembre personagens históricos das artes marciais mistas.
Chuck Lidell tornou-se um fenômeno do UFC. Foto: Reprodução X/mmahistorytoday
Uma das maiores estrelas do MMA tem conquistas dentro e fora dos octógonos. Chuck Liddell tornou-se uma das figuras mais emblemáticas da disseminação do UFC mundo afora. E graças à sua popularidade, pode-se dizer que o norte-americano salvou a organização de Dana White e irmãos Fertitta da falência.
Com punhos ferozes e combinações características, difíceis de ser superados, Chuck Liddell conquistou o cinturão da divisão meio pesado (até 93kg.) ao nocautear – ninguém mais, ninguém menos que – Randy Couture, no UFC 52. Aliás, o destacável foi uma máquina de nocautes. Ele detém os recordes de maior número da divisão e maior sequência do UFC, com sete nocautes consecutivos.
Protagonista de uma fase decisiva da organização, simbolizou nas telas o que o MMA representava. Com bigode e corte de cabelo inconfundíveis, e um short – desenhado pelo brasileiro Ed Soares – que justifica o apelido ‘Iceman’ (Homem de Gelo), sua frieza esquentou o público. No The Ultimate Fighter – TUF, treinou na primeira temporada e escalou uma rivalidade história com Tito Ortiz na 11ª temporada. Pronto, o UFC estava nas televisões do mundo e o exímio lutador tornou-se lenda.
Chuck Liddell faz parte do Hall da Fama do UFC desde 2009.
Bj Penn em luta pelo UFC. Foto: Reprodução/ Facebook UFC
A categoria peso leve (até 70,3kg.) teve seu reinados. Mas seguramente a primeira dominância foi deste homem: Bj Penn. Com fortes ligações com o Brasil graças ao Jiu-Jitsu, o havaiano recebeu a faixa preta das mãos de André Pederneiras, da academia Nova União. BJ construiu sua base no BJJ. Ele foi um dos primeiros atletas não-brasileiros a ser campeão Mundial de Jiu-Jitsu. No UFC, foi campeão dos leves (até 70,3kg.) e dos meio-médios.
Alçado ao MMA, Penn não tornou-se imediatamente campeão da divisão que dominaria. Depois de algumas apresentações pelo UFC e a saída para outra organização, o retorno para o Ultimate foi em um desafio pelo cinturão dos meio-médios (até 77kg.). ‘The Prodigy’ foi campeão após finalizar Matt Hughes no UFC 46, em 2004.
O primeiro a difundir a ideia de lutar em categorias de peso diferentes só conquistaria o cinturão dos leves após viver um período no K-1 e retorno ao UFC em 2006. No ano seguinte, o norte-americano figurou no TUF e desafiou Sean Sherk pelo cinturão até 70,3kg., mas Sherk foi destituído após cair no antidoping. A ‘coroa’ só viria em 2008, quando finalizou Joe Stevenson em uma luta que ficou conhecida como ‘O banho de sangue’.
Couture fez história no UFC. Foto: Josh Hedges/UFC
Outro importante nome para a disseminação do UFC é Randy Couture. Com alto nível de luta até o fim da carreira, o norte-americano de Oregon foi três vezes campeão peso pesado (até 120,2kg.), duas vezes meio pesado (até 93kg.). Ele foi o lutador mais velho a ser campeão mundial, com 45 anos e 60 dias. Couture carrega também a marca de ser o atleta mais velho a vencer uma luta na empresa. Quando superou James Toney, ele tinha 47 anos e 68 dias.
A exemplo de Liddell, Randy foi para as telas e ‘furou a bolha’ do MMA. Ele foi um dos primeiros técnico do The Ultimate Fighter – TUF. Foi um vanguardista da ideia de lutadores migrarem para as telonas, quando atuou no filme ‘Mercenários’, onde interpreta o personagem Toll Road.
Na primeira década do milênio, Randy travou rivalidades memoráveis com Tito Ortiz e Chuck Liddell. Tais confrontos contribuíram consideravelmente para solidificação do UFC nos Estados Unidos.
Anderson Silva x Demian Maia. Foto: Reprodução/Instagram
Como falar de UFC sem falar de Anderson Silva? O brasileiro seguramente é uma das figuras mais icônicas do MMA mundial. Nascido em São Paulo, foi criado pelos tios em Curitiba e enfrentou a pobreza durante sua formação. ‘Spider’, como ficaria conhecido mais tarde, se iniciou nas artes marciais no Taekwondo. Hoje, o ícone é faixa preta de Jiu Jitsu, Muay Thai, Judô e no próprio Taekwondo.
Após ter lutado em diversas organizações, muitas vezes para garantir o dinheiro do sustento da família, o brasileiro fez história no UFC entre 2006 e 2020, em duas aparições. No segundo ingresso à empresa, foi quando se sagrou campeão dos médios (até 83,9kg.). Seu legado foi marcado por momentos icônicos. Qual fã não se lembra da rivalidade com Chael Sonnen? Antagonismo resolvido com duas derrotas impostas ao norte-americano por finalização e nocaute. Aliás, nocautes incríveis entraram para a história, como o imposto à Vitor Belfort com um icônico chute frontal.
Anderson Silva é membro do Hall da Fama do UFC desde 2023.
Khabib Nurmagomedov após vencer Conor McGregor. Foto Reprodução/UFC
O líder do clã do Daguestão é figurinha recorrente no ambiente do UFC até hoje. Também pudera, o legado construído como lutador e treinador faz de Nurmagomedov um nome que dispensa apresentações.
Campeão dos leves com o reinado mais longo da divisão, sendo mais de mil dias, Khabib fez três defesas de cinturão. O lutador tornou-se sinônimo de assertividade, como um atleta quase perfeito nas artes marciais mistas. O wrestling do mestre russo o fez vencer absolutamente todos os combates profissionais em que entrou. Aos 32 anos, Nurmagomedov anunciou aposentadoria com um cartel perfeito de 29 lutas e ainda ostentando o cinturão.
A rivalidade entre Khabib Nurmagomedov e Conor McGregor (foto) é uma das mais intensas da história do UFC. A rivalidade começou antes mesmo da luta marcada para o UFC 229. Em outubro de 2018, quando finalmente se encontraram no octógono, a tensão explodiu quando Khabib derrotou Conor por finalização no quarto round, levando a uma briga generalizada entre os corners e seguranças dos dois lutadores. A rivalidade extrapolou o cage, com ambos os lutadores enfrentando consequências disciplinares e financeiras.
Khabib Nurmagomedov foi introduzido no Hall da Fama do UFC em 2022.
D. Cormier em vitória pelo UFC. Foto: Reprodução/Instagram
Hoje conhecido como comentarista do UFC, Daniel Cormier empunhou o microfone quando já tinha construído seu legado com as luvas.
‘DC’ é um do membros do seleto grupo capaz de ostentar o mérito de ter conquistado os cinturões de duas divisões do Ultimate. Ele foi o segundo lutador da história da organização que foi campeão simultâneo de duas categorias, a dos meio-pesados (até 93kg.) e pesos pesados (até 120,2kg.).
Ao longo dos sete anos que foi lutador do UFC, protagonizou ao lado de Jon Jones uma das maiores rivalidades da história. Até 2018, Daniel só havia sido derrotado pelo algoz e mais ninguém. Eles se encontraram duas vezes, com vitórias para ‘Bones’. Porém, a segunda luta foi convertida para ‘no contest’. O motivo? Jon Jones caiu no doping. No fim da carreira, ‘DC’ se envolveu em uma trilogia com Stipe Miocic em que saiu derrotado no dois último embates, que foram os derradeiros da carreira de atleta.
Cormier tornou-se um dos comentaristas da maior organização de MMA do mundo em 2016, cargo que ocupa até hoje. Ele é imagem recorrente nos canais de televisão. Atualmente apresenta o ‘Good Guy/Bad Guy’ junto com Chael Sonnen na ESPN norte-americana.
D. Johnson com o cinturão do UFC. Foto: Reprodução Twitter UFCNews
O maior nome da divisão peso mosca (até 56,7 kg.) da história seguramente é o de Demetrious Johnson. O canadense foi o campeão inaugural da categoria e fez valer o título. Ele defendeu seu cinturão 11 vezes consecutivas, sendo o lutador com mais defesas na história da organização.
Com uma velocidade marcante, ‘Mighty Mouse’ foi dominante entre 2012 e 2018 no Ultimate. Depois migrou para o ONE Championship. O UFC negociou Demetrious Jhonson em troca de Bem Askren em um transação inédita… e frustrante. O norte-americano lutou apenas três lutas na organização e perdeu duas. Enquanto isso, Jhonson surpreendeu a muitos pela sua capacidade de se manter em alto nível com longevidade. Demetrious se aposentou em 2023, aos 37 anos.
G. St-Pierre foi campeão dos meio-médios e médios do UFC. Foto: Reprodução/Twitter @ufccanada
Responsável pela disseminação do MMA entre os canadenses, Georges St-Pierre construiu uma carreira brilhante no UFC, principalmente no fim da primeira década do milênio e início dos anos 2010.
‘Rush’ é um destes nomes frequentes nesta lista, mas raros no universo do Ultimate, que figuram como campeões de duas categorias. Conhecido pelo seu QI de luta, St-Pierre esteve no trono dos médios e dos meio-médios, onde fez incríveis nove defesas de título. Além das várias vitórias consecutivas, pode se orgulhar por ter sido um forte combatente do doping em sua época.
Georges St-Pierre aposentou do esporte com 26 vitórias e apenas duas derrotas. O ícone é membro do Hall da Fama do UFC desde 2020.
Conor McGregor é um fenômeno de popularidade na história do MMA. Foto: Reprodução/Instagram
O lendário lutador irlandês revolucionou o marketing e trash talking no UFC com uma carreira meteórica e estilo único. Desde sua estreia, em 2013, Conor McGregor rapidamente se destacou por sua habilidade excepcional no boxe e na trocação, conquistando o título peso pena ao derrotar José Aldo em apenas 13 segundos no UFC 194.
Sua ascensão continuou ao se tornar campeão peso leve, derrotando Eddie Alvarez no UFC 205, tornando-se o primeiro lutador a ser campeão em duas divisões simultaneamente no UFC.
McGregor é conhecido por sua personalidade controversa e estilo de luta agressivo. Apesar de enfrentar derrotas duras, como para Khabib Nurmagomedov e Dustin Poirier, sua capacidade de atrair novos fãs e gerar interesse em torno de suas lutas ajudou a expandir a popularidade do esporte globalmente.
O irlandês teve um impacto financeiro significativo no UFC, impulsionando a venda de pay-per-views e gerando receita recorde para a organização. Sua luta contra José Aldo no UFC 194, por exemplo, quebrou recordes de compra de PPV, e sua revanche contra Nate Diaz no UFC 202 também foi um sucesso comercial. Além disso, sua luta de boxe contra Floyd Mayweather Jr. gerou uma fortuna em receita, embora não tenha sido organizada pelo UFC.
Apesar de ter anunciado sua aposentadoria várias vezes, mesmo tendo lutas contratuais com o UFC, McGregor continua a ser uma figura proeminente no mundo das artes marciais mistas.
Ronda Rousey deteve o cinturão dos galos entre 2013 e 2015. Foto: Reprodução/Instagram
Vanguarda. Esta palavra é capaz de definir Ronda Rousey. Não seria exagero afirmar que ela é a responsável pela introdução do MMA Feminino nas fileiras do UFC, depois de Dana White ter sido categórico em dizer que isso jamais ocorreria. Mas a loira fatal foi capaz de dissuadir o todo poderoso da ideia ao ser vista pelo CEO.
Ronda tornou-se uma referência. Ela foi a campeã inaugural da categoria peso galo feminina. Rousey também pavimentou o caminho para o UFC criar as outras divisões femininas, a galo e a palha. Durante muito tempo, a norte-americano foi considerada a melhor lutadora do mundo e até um nome capaz de vencer atletas masculinos. ‘Rowdy’ ficou marcada pela capacidade de encerrar lutas muito rapidamente. Para se ter uma ideia, em um período entre 2014 e 2015, ela tinha o tempo somado de quatro lutas de apenas dois minutos e dez segundos. Ronda Rousey foi alçada ao Hall da Fama do UFC em 2018.
Cris Cyborg é uma lenda do MMA. Foto: Divulgação UFC
Falar de MMA Feminino é se recordar imediatamente de Cris Cyborg. O nome brasileiro fez história mundo afora.
Campeã em diversas organizações, no UFC a paranaense ostentou o cinturão da divisão peso pena. Na carreira, após perder na estreia, enfileirou uma sequência invicta de 21 lutas.
Embora seja um grande nome do MMA e tenha conquistado o mundo do esportes de combate, Dana White não foi conquistado. Os dois tiveram uma relação conturbada, com reclamações frequente da brasileira enquanto lutava pelo UFC, e troca de farpas posteriormente.
Historicamente temida, Cris Justino assistiu a ascensão e aposentadoria de nomes como Ronda Rousey e Amanda Nunes, porém continua ativa e com aspirações de partir para o boxe aos 39 anos de idade. Ela foi a primeira brasileira a ser campeã n Ultimate, quando conquistou o cinturão peso pena (até 65,7kg.).
Amanda Nunes somou dois reinados no peso galo (2016-2021; 2022-2023). Foto: Reprodução/Instagram
Uma ‘GOAT’ indiscutível. Esta é Amanda Nunes!
A brasileira da Bahia construiu um legado irretocável, sendo uma dupla campeã, quando ficou com o cinturão das categorias galo e pena. Nunes entrou para o grupo dos grandes nomes do MMA, sem refutações, após uma vitória histórica sobre a afamada Ronda Rousey com um nocaute aplicado na luta pelo título em 2016.
Amanda ficou fora do esporte por dois anos e hoje tem a pretensão pública de volta as octógonos. Quando anunciou a aposentadoria, ela podia se gabar de um cartel com 14 vitórias e apenas uma derrota. Revés este sofrido para Julianna Peña em 2022, mas com revanche confirmada imediatamente, em uma vingança brutal.
Recentemente, Amanda Nunes foi introduzida no Hall da Fama do UFC.
José Aldo é ex-campeão do UFC. Foto: Reprodução/Twitter/UFC
Recém aposentado pela segunda vez, José Aldo Júnior teve uma história cinematográfica no esporte. Não atoa tornou-se filme no Brasil.
Campeão inaugural da categoria peso pena, ele defendeu o cinturão sete vezes e passou a ser reconhecido como um dos melhores peso por peso do mundo. Algumas vitórias tornaram-se icônicas. Em sua estreia contra o canadense Mark Hominick, Aldo venceu por decisão unânime, mas a imagem que ficaria para sempre na memória dos fãs foi a testa do adversário, que teve um inchaço chocante graças aos golpes do brasileiro.
Mas nem só de glórias se fez o caminho do manauara na organização. O reinado do Rei do Rio acabou sendo interrompido por Conor McGregor, em dezembro de 2015. Em franca ascensão, o irlandês chocou o mundo ao nocautear o brasileiro em apenas 13 segundos. Até hoje, esta é a vitória mais rápida numa luta por cinturão na história do evento. Posteriormente, ele recuperaria o título no UFC 200, ao vencer Frankie Edgar. Aldo é o lutador com mais defesas de cinturão nos pesos penas, tendo-o mantido sete vezes.
Depois do retorno aos octógonos em 2024, após dois anos do primeiro anuncio de aposentadoria, José Aldo amargou resultados ruins e deixou o esporte em definitivo recentemente, no UFC 315, quando foi derrotado por Aiemann Zahabi.
Por suas contribuições, o brasileiro foi incluído no Hall da Fama do UFC em 2023, como parte da ala moderna.
Jon Jones nocauteou Stipe Miocic no UFC 309. Foto: Reprodução UFC
Polêmico, forte, controverso e praticamente imbatível. Jon Jones é amado e odiado, mas jamais questionado como um dos melhores da história.
O atual campeão peso pesado seguramente está no pódio de maiores lutadores da história do UFC. Com um cartel de 30 lutas atualmente, apenas uma derrota está anotada no cartel. Ainda assim, por desclassificação. Quando enfrentou Matt Hamill, ‘Bones’ lançou mão da cotovelada 12/6, na época proibida.
O norte-americano já ostentou outro cinturão. O dos meio-pesados, onde foi dominante. Inclusive, a conquista veio cedo. Jon Jones tinha apenas 23 anos quando tornou-se campeão, em 2011.
O lutador tem a maior sequência invicta da história do UFC, sendo 19 lutas, e detém o recorde de maior número de combates por título: 15. Jon Jones já é membro do Hall da Fama da organização.
Alex Poatan celebra vitória pelo cinturão no UFC. Foto: Twitter/UFC
O queridinho dos brasileiros tem fãs em todo mundo. Alex Pereira tornou-se um fenômeno em pouco tempo. De origem pobre, em São Bernardo do Campo, o lutador era borracheiro antes de se profissionalizar já aos 26 anos. Mas o homem tornado ‘Poatan’ na luta – uma referência as suas origens, com significado de ‘Mãos de Pedra’ – nunca precisou de muito tempo para fazer o que precisa ser feito.
O brasileiro já era campeão reconhecido no Glory quando deixou a organização para ir para o UFC, em 2022. Ele foi o primeiro lutador a ser campeão da organização de kickboxing e da maior organização de MMA do mundo.
Em apenas três anos, Alex Poatan conquistou títulos de duas categorias do Ultimate, a dos médios e dos meio-pesados, batendo o recorde de tempo entre o título de uma divisão e outra, além de ser um dos sete nomes a defender o cinturão três vezes no mesmo ano. No UFC, em tão pouco tempo, ele venceu sete lutas por nocaute e, em um ano de dificuldades da empresa para encabeçar cards, pegou três lutas principais de ultima hora. Tornou-se ídolo rápido e caminha para se eternizar.