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Categorias de peso do UFC: Tudo sobre as divisões, pesagem e o drama do corte

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Alex Poatan em pesagem para o UFC 300 (Foto: Reprodução/Instagram)

Alex Poatan em pesagem para o UFC 300 (Foto: Reprodução/Instagram)

No UFC, a luta começa muito antes dos lutadores pisarem no octógono: ela se inicia na balança. As categorias de peso são a espinha dorsal do esporte, garantindo que lutadores de porte físico similar se enfrentem em condições justas. Mas, por trás dessa organização aparentemente simples, há um universo de estratégias, riscos e histórias dramáticas. Neste guia, você vai descobrir como funcionam as divisões do UFC, os detalhes da pesagem e por que o corte radical de peso já fez até um campeão perder seu título antes mesmo de entrar no octógono.

As categorias de peso: Das palhas aos pesados

O UFC divide seus lutadores em categorias de peso, cada uma com limites específicos para combates com ou sem título em jogo. Confira a lista completa:

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Categoria Limite (kg) Limite (lbs) Gênero Campeão Atual
Peso Palha até 52,2 kg até 115 lbs Feminina Zhang Weili
Peso Mosca até 56,7 kg até 125 lbs Feminina Valentina Shevchenko
Peso Mosca até 56,7 kg até 125 lbs Masculina Alexandre Pantoja
Peso Galo até 61,2 kg até 135 lbs Feminina Julianna Peña
Peso Galo até 61,2 kg até 135 lbs Masculina Merab Dvalishvili
Peso Pena até 65,8 kg até 145 lbs Masculina Alexander Volkanovski
Peso Leve até 70,3 kg até 155 lbs Masculina Vago (disputado em 28 de junho)
Peso Meio-Médio até 77,1 kg até 170 lbs Masculina Belal Muhammad
Peso Médio até 83,9 kg até 185 lbs Masculina Dricus du Plessis
Peso Meio-Pesado até 93,0 kg até 205 lbs Masculina Magomed Ankalaev
Peso Pesado até 120,2 kg até 265 lbs Masculina Jon Jones (interino: Tom Aspinall)

A Pesagem: O ‘round zero’ da luta.

A. Nunes em pesagem pelo UFC. Foto: Reprodução/YouTube UFC

A pesagem oficial do UFC ocorre sempre um dia antes do evento, entre 9h e 11h (horário local). Os atletas escalados para o card têm uma janela de duas horas para comparecer à balança, sem ordem pré-estabelecida. As regras são claras:

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  • Tolerância de 1 libra (aproximadamente 450 g): Válidas apenas para lutas que não envolvam cinturão. Campeões e desafiantes ao cinturão não podem ultrapassar o peso da categoria em questão.
  • Penalidades: Quem não bater o peso pode perder até 30% da bolsa, enfrentar o adversário em peso casado (ex.: ambos com 74 kg) ou até mesmo ter a luta cancelada.
  • Dependendo da comissão atlética em questão, lutadores que não baterem o peso na primeira tentativa têm mais uma hora para cortar o peso excedente e voltarem à balança.

Corte de peso: A batalha invisível

Paulo Borrachinha em corte de peso para o UFC 302. Foto: Reprodução/X

Bater o peso é mais do que apenas um compromisso profissional. É, muitas vezes, uma batalha física e mental travada nos bastidores. O chamado corte de peso” consiste em perder grandes quantidades de líquido corporal nas horas ou dias que antecedem a pesagem, com o objetivo de atingir o limite da categoria e, depois, competir em desvantagem mínima ou até com vantagem física sobre o adversário.

Para isso, muitos atletas recorrem a métodos extremos: banhos escaldantes, sessões de sauna, uso de roupas térmicas e restrição total de líquidos. Tudo para “secar” o corpo e eliminar cada grama possível. Em alguns casos, a prática leva o corpo ao limite da exaustão e desidratação severa.

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O drama se intensifica porque, após o corte, o lutador ainda precisa se reidratar e recuperar forças em pouco mais de 24 horas, tempo entre a pesagem e a luta. 

Por que os lutadores cortam peso?

Com todos os riscos envolvidos, a pergunta é inevitável: por que os lutadores continuam cortando peso? A resposta está na tentativa de obter vantagem física no octógono.

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Ao competir em uma categoria abaixo do seu peso natural, o atleta pode recuperar boa parte do líquido perdido após a pesagem e entrar na luta significativamente mais pesado, forte e resistente do que o adversário que tenha cortado menos. Em um esporte de contato, onde cada quilo conta na hora do clinch, do ground and pound ou na defesa de quedas, essa diferença pode ser decisiva.

A estratégia é tão comum que muitos treinadores montam campanhas inteiras com o corte de peso como parte do planejamento. atletas que chegam a cortar 10% ou mais do próprio peso corporal nos dias que antecedem a pesagem.

No entanto, o risco está justamente aí: cortar demais pode comprometer a performance. O corpo desidratado e desgastado nem sempre se recupera a tempo, e o que era para ser uma vantagem pode se transformar em desastre.

Casos famosos e polêmicos

C. do Bronx falha em pesagem do UFC 274. Foto: Reprodução/YouTube

A balança foi vilã de muitas histórias no UFC — e, em alguns casos, chegou a mudar o rumo de títulos e carreiras.

Um dos exemplos mais emblemáticos é o de Charles do Bronx, ex-campeão dos leves. Em 2022, o brasileiro perdeu o cinturão por pesar 0,2 libras (cerca de 90g) acima do limite permitido em luta com o título em disputa. Mesmo finalizando o desafiante Justin Gaethje, Charles não pôde sair do octógono com o cinturão e foi obrigado a disputar o título vago em sua luta seguinte, quando acabou finalizado por Islam Makhachev.

Outro caso marcante foi o de Renan Barão, em 2014. O então campeão dos galos desmaiou durante o processo de corte de peso para o UFC 177, bateu a cabeça e precisou ser retirado do card, deixando a organização às pressas para encontrar um substituto de última hora. O episódio acendeu o alerta sobre os riscos extremos da prática.

o aguardado duelo entre Khabib Nurmagomedov e Tony Ferguson nunca saiu do papel, em parte pelos problemas relacionados ao peso. Em 2017, no UFC 209, Khabib passou mal após o corte e foi hospitalizado, forçando o cancelamento da luta horas antes do evento.

Esses são apenas alguns entre tantos casos. Cancelamentos, reviravoltas e lutas transformadas em “peso casado” se tornaram relativamente comuns, afetando cards, cinturões e a credibilidade de grandes eventos.

Existe solução?

Apesar de ser um problema recorrente e bem documentado, o corte extremo de peso ainda é tratado com certa tolerância no MMA. Mas movimentos, dentro e fora do UFC, que buscam soluções para tornar o processo mais seguro e justo.

Uma das propostas mais debatidas é a realização de pesagens no mesmo dia da luta, como acontecia nos primórdios do esporte. A lógica é simples: se o atleta tiver menos tempo para se recuperar após o corte, ele pensará duas vezes antes de se desidratar de forma agressiva. O problema? A medida pode prejudicar a performance e aumentar o risco de lesões em pleno combate.

Outra alternativa aplicada com sucesso é a inclusão de testes de hidratação, como faz o ONE Championship. Na organização asiática, os lutadores são pesados e testados diversas vezes ao longo da semana do evento — e precisam estar hidratados em cada etapa. Isso obriga os atletas a competir mais próximos de seu peso real. A ideia recebeu elogios, mas é logisticamente mais complexa e ainda encontra resistência no UFC.

também quem defenda o aumento no número de categorias de peso, o que reduziria a pressão para “bater o peso a qualquer custo”. Hoje, por exemplo, a distância entre o peso leve (70,3 kg) e o meio-médio (77,1 kg) é de quase 7 kg — o que força muitos atletas a escolherem entre cortar demais ou enfrentar rivais naturalmente maiores.

Subir de categoria é, claro, uma saída. Mas poucos se arriscam, temendo perder vantagem física ou encarar nomes mais duros. Ainda assim, casos como os de Alex Poatan e Max Holloway, que subiram de divisão com sucesso, mostram que é possível competir em alto nível sem se desgastar na balança.

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Publicado por
Igor Ribeiro