
Anderson Silva é um dos melhores lutadores da história do UFC. Foto: Reprodução/Instagram/@ufc
O mundo do MMA foi pego de surpresa com a notícia de que Anderson Silva irá receber cerca de US$ 10,33 milhões ( R$ 56,1 milhões, na cotação atual) como acordo da ação judicial antitruste movida por mais de mil atletas contra o UFC. O ex-campeão dos pesos médios (até 83,9 kg.) do Ultimate foi o nome que conseguiu o maior valor em todo o processo, que ao todo soma mais de US$ 375 milhões, dos quais US$ 251 milhões são destinados apenas a lutadores elegíveis. No entanto, o que estes pagamentos representam para os cofres da empresa?
Neste contexto, o SUPER LUTAS decidiu colocar esses números na ponta do lápis e mostrar como a ação judicial pode (ou não) afetar a organização.
Dana White (dir.) e Anderson Silva (esq.). em coletiva de imprensa do UFC. Foto: Divulgação/UFC
Apesar de representar um valor impressionante, principalmente ao ser comparado com a bolsa de pagamento da maioria dos atletas de todo o mundo, a bolada recebida pelo Spider corresponde a uma fração quase insignificante em comparação ao orçamento da empresa. Em fevereiro deste ano, a TKO Group Holdings, dona do UFC e controlada pela Endeavor, anunciou publicamente que a receita da maior organização de MMA do mundo em 2024 foi de aproximadamente US$ 1,406 bilhões (R$ 7,68 bilhões), US$ 114 milhões a mais que no ano anterior.
A título de comparação, o valor que o recordista de vitórias consecutivas no Ultimate vai receber equivale apenas a 0,73% do faturamento anual da empresa. É importante ressaltar que o brasileiro foi incluído automaticamente no processo por ter atuado no período de 2010 a 2017, e cabe a ele aceitar ou não o acordo.
Dana White em entrevista de imprensa pós-UFC 297. Foto: Reprodução/YouTube/UFC
A situação muda um pouco ao comparar a receita anual com o valor de toda a ação, incluindo lutadores elegíveis e honorários legais. No entanto, está longe de representar algum repasse significativo no que diz respeito aos cofres da empresa. Os US$ 375 milhões (mais de R$ 2 bilhões, na cotação atual) somam 26,7% de todo o dinheiro acumulado no ano passado. Ao todo, 1.067 lutadores foram contemplados pelo acordo firmado nos tribunais.
O processo foi iniciado em 2014 e aprovado em fevereiro deste ano pelo juiz federal Richard Boulware. A ação coletiva movida por atletas que alegaram práticas anticompetitivas por parte da organização entre 2010 e 2017 e alegava que o UFC, controlado à época pela Zuffa (atualmente parte do grupo TKO Holdings), monopolizou o mercado e restringiu a competição entre promotoras, prejudicando a remuneração e mobilidade dos lutadores.
O UFC foi acusado de praticar contratos exclusivos com cláusulas restritivas, ameaças de represálias a atletas que lutassem por outras organizações e aquisições de concorrentes (Pride, WEC, Strikeforce) para centralizar o mercado.