
Royce venceu três adversários para triunfar no UFC 1.
Com várias décadas de evolução, pode-se dizer que poucas nações foram tão importantes para as Artes Marciais Mistas (MMA) como o Brasil. Com grandes campeões em diversas épocas e categorias de peso, é impossível dissociar o protagonismo do país do sucesso da modalidade em todos os continentes do planeta.
Dessa forma, o SUPER LUTAS selecionou alguns dos combates responsáveis por mudar o patamar do MMA em meio aos esportes de combate, e boa parte deles possuem brasileiros como protagonistas.
R. Gracie (esq.) e K. Shamrock (dir.) em luta pelo Ultimate em 1995. Foto: Reprodução/YouTube UFC
Um dos momentos mais notórios do esporte que tanto amamos aconteceu justamente na primeira edição do UFC, em novembro de 1993. Nas semifinais, Royce Gracie e Ken Shamrock se enfrentaram pela primeira vez num duelo que marcaria o início da primeira rivalidade do esporte no Ocidente.
Apesar de se tratar de um confronto equilibrado na teoria, o brasileiro venceu com um estrangulamento em pouco mais de dois minutos e avançou à final para enfrentar Gerard Gourdeau, para em seguida se tornar o primeiro campeão do Ultimate. Ambos foram os primeiros lutadores incluídos no Hall da Fama, em 2003.
Os dois se enfrentaram novamente em 1995, num combate que terminou empatado após mais de 30 minutos. A trilogia aconteceu 11 anos depois, já no Bellator, com ambos longe de seus auges. Apesar disso, Royce venceu novamente. Desta vez, por nocaute técnico ainda no primeiro round.
Royce (esq.) e Ken (dir.) se enfrentaram no Bellator. Foto: Divulgação
Se Shamrock foi o primeiro rival de Royce, Kazushi Sakuraba foi sem dúvida nenhuma o mais difícil de se vencer. Na verdade, o japonês se tornou uma pedra no sapato de toda a Família Gracie no início dos anos 2000. Ele venceu Royler Gracie com uma kimura em novembro de 1999 e em maio do ano seguinte mediu forças com o nome mais famoso do esporte na época.
O duelo aconteceu no PRIDE e contou com regras específicas. Não havia um número específico de rounds definidos, e cada um deles duraria 15 minutos até que um dos lutadores vencesse pela via rápida. Dessa forma, os dois competiram por 90 minutos, a luta mais longa da história do MMA moderno. Após ter a fíbula fraturada por um chute do japonês, o corner de Royce foi obrigado a jogar a toalha.
Sakuraba ainda venceu Renzo e Ryan Gracie, se tornando mundialmente conhecido pelo apelido ‘Caçador de Gracies’. Uma revanche com Royce aconteceu em 2007, na qual o brasileiro venceu mas foi pego no exame antidoping.
F. Griffin (esq.) e S. Bonnar (dir.) rivais na primeira edição do TUF. Foto: UFC/Divulgação
Se hoje em dia o evento de Dana White lidera sozinho, a situação era bem diferente 20 anos atrás. Enquanto o PRIDE ia muito bem no Japão, o UFC penava para conseguir apagar a má reputação existente desde os anos 90 e tentava a todo custo (literalmente) transformar o MMA num negócio lucrativo nos EUA. Dessa forma, a primeira temporada do The Ultimate Fighter, em janeiro de 2005, surgiu como a última tentativa e investimento dos irmãos Fertitta no esporte.
Custeado pelo próprio Ultimate e transmitido na Spike TV, o programa apresentou ao público nomes que se tornariam muito conhecidos pelos fãs, como Diego Sanchez, Kenny Florian e Josh Koscheck. No entanto, a final do reality show foi o maior divisor de águas da trajetória da organização.
Válida pela categoria meio-pesado (até 93 kg.), a luta entre Forrest Griffin e Stephan Bonnar teve números de audiência tão altos que foi o suficiente para garantir a renovação do produto por mais uma temporada, além de ter catapultado o nome dos dois atletas ao estrelato. O combate foi escolhido como o melhor da história do UFC em 2009, e incluído no Hall da Fama em 2013.
Griffin venceu por decisão unânime e acabou conquistando o cinturão dos meio-pesados (até 93 kg.) alguns anos depois, além de ter vencido nomes como Tito Ortiz, Maurício Shogun e Quinton Jackson. Já Bonnar fez parte do Ultimate por vários anos e infelizmente faleceu em 2022.
Anderson Silva (esq.) e Vitor (dir.) em combate histórico no UFC 126. Foto: Reprodução/Facebook
Sem dúvidas, o combate entre Anderson Silva e Vitor Belfort em 2011, válido pelo cinturão dos médios (até 83,9 kg.) foi um divisor de águas para o MMA brasileiro. Além de serem os melhores do mundo à época, os atletas nutriam uma rivalidade interessante, devido ao fato de terem sido companheiros de treino no passado.
Mesmo durando pouco, o desfecho da luta foi memorável. Anderson venceu com um chute frontal no rosto nunca antes visto no Ultimate e que influenciou diversos outros lutadores no futuro. Além disso, o paulista se tornou uma estrela no Brasil, passando a frequentar grandes programas de auditório e tendo destaque em reportagens especiais dos principais telejornais do país.
Vitor, que já possuía certa notoriedade desde o início dos anos 2000, também colheu os frutos da participação no combate. Ele foi um dos treinadores da primeira temporada do TUF Brasil, em 2012, e ao longo dos anos seguintes protagonizou diversos eventos em solo nacional.