A noite do UFC Vegas 96, em agosto de 2024, deveria ser o ápice da carreira de Caio Borralho. Na primeira luta principal de sua trajetória na empresa, o brasileiro superou Jared Cannonier na decisão unânime e se credenciou como um dos principais nomes dos pesos médios (até 83,9kg.). O triunfo, porém, desencadeou uma crise silenciosa. Em depoimento ao Connect Cast, o atleta confessou que a vitória, batizada por ele como ‘renascimento’, anulou seu propósito central: vencer o medo que o assombrou desde a infância.
“Eu fiquei zoado um tempo. Uns dois ou três meses. Você se sente sem motivação, razão, sem propósito. Tinha uma parada interna minha. Sempre fui medroso e lutei para provar para mim mesmo que não era mais o mesmo menino. E a luta contra o Cannonier foi um renascimento do Caio. Fiquei ‘perto da morte’, perto dele e não tive nenhum resquício daquele menino medroso. Então parece que todo o motivo do porque eu lutei se resumiu aquela luta. Foi o renascimento e, por um momento, me vi sem motivação para continuar”, disse Caio Borralho em entrevista ao Connect Cast.
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O paradoxo foi cruel. Ao eliminar o ‘menino medroso’ que carregava, o brasileiro mergulhou em um período de desorientação. Por quase 90 dias, o lutador vagou sem motivação ou objetivos. Nas sombras, adotou hábitos abandonados há anos: cigarros de palha fumados a caminho dos treinos e uma garrafa de cerveja longneck consumida todas as noites.
“Foram dois ou três meses quase que como um tratamento. Foi f***. Voltei a fumar cigarro de palha indo pra academia, toda noite. Estava tomando uma (cerveja) longneck toda noite. Você vai pensando: ‘Estou de boa, sem luta mesmo…’ e não vai tendo a verdade com você, que realmente está passando por uma parada que quer uma atenção. Foram dois meses difíceis. Eu mesmo indo atrás de respostas”, detalhou o brasileiro.
Caio Borralho voltou a fumar pela ‘sensação’
A recaída trouxe lembranças do passado. O hábito de fumar, comum em sua juventude aos 18 anos durante a graduação na Universidade Federal do Maranhão, ressurgiu como escape. Mesmo sem lutas agendadas, Borralho mascarou o problema com a falsa premissa de que ‘estava de boa’. A realidade, segundo ele, era um conflito psicológico que exigia atenção urgente.
“Eu fumava cigarro de palha quando era mais novo, quando estava na faculdade. 18 anos, quando entrei na Federal. Parei de fumar aqui em São Paulo e nunca mais (havia fumado). Depois, quando voltei, fiquei viciado na sensação de relaxar. Conseguia dirigir bem, já ia de boa. Foi f***. Mas, agora, estou bem pra caramba. Estou sem lutar, mas achei um novo propósito. Novos caminhos, mensagens e autoconhecimento”, concluiu.
Aos 32 anos, Caio Borralho garante que está bem. O brasileiro, que ainda não voltou ao octógono desde então, ocupa a sexta colocação no ranking dos pesos médios (até 83,9kg.) e aguarda por nova luta. Ele tem provocado Nassourdine Imavov, que teria recusado enfrenta-lo no UFC.
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