Passado neonazista, homofobia e sonho de matar adversário no octógono: relembre polêmicas de Strickland

Estrela do UFC Las Vegas 47, lutador tem se tornado figura controversa fora do octógono; atleta enfrenta Jack Hermansson neste sábado

S. Strickland (esq.) está invicto desde que chegou ao peso médio do UFC. Foto: Reprodução/Instagram

Em mais de 20 anos de Ultimate, os fãs de MMA já se depararam com figuras polêmicas e que ‘chocam’ por declarações ácidas e provocações aos adversários. Conor McGregor e Colby Covington são dois dos que, hoje, se destacam no campo das promoções. Um atleta, no entanto, tem aumentado sua popularidade, mas, talvez, não de forma positiva. Estrela do UFC Las Vegas 47, Sean Strickland é um nome a ser observado, pois se ‘desgarra’ do permitido e coleciona declarações controversas.

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Adversário de Jack Hermansson neste sábado (5), o norte-americano coleciona polêmicas fora do octógono. De passado neonazista, declarações homofóbicas e até sonho público de matar um adversário durante uma luta, relembre algumas histórias chocantes reveladas pelo próprio peso médio (até 83,9kg.).

Passado neonazista

Em posição de destaque no ranking dos médios, Strickland surpreendeu, há alguns meses, ao falar sobre seu passado neonazista. Influenciado pelo avô, o lutador desabafou sobre o período em que esteve envolvido na ideologia criminosa.

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“Uma infância dura. Todos tiveram uma infância complicada. Conheci pessoas na minha vida que fizeram minha infância parecer com a Disneylândia. Para mim, eu era simplesmente nervoso. Era tão furioso que tinha esses estranhos pensamentos neonazistas. A fase da supremacia branca. Eu tinha tanto ódio, muita influência na minha vida e me sentia bem por odiar algo. Eu andava pela rua com uma faca ou pedra, esperando que pudesse matar alguém”, contou, em entrevista ao ‘MMA Fighting’.

Se atendo à questão da ideologia neonazista, Strickland fez questão de afirmar que tudo aconteceu por querer se espelhar em seu avô. O lutador, então, seguiu o relato.

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“Meu avô era um mer**. Quando você é uma criança, não enxerga isso. Meu avô tinha entre 1,80 a 2 metros. Ele enxia sua cabeça com coisas malucas. Você está na sétima série e é ‘alimentado’ com ideias nazistas. Você não entende, sequer sabe o que aquilo significa. Você escuta algo vindo do seu herói, porque era uma grande figura, que meu pai não era, e aquela identidade me consumiu. Eu desenhava suásticas no braço e andava pela escola desse jeito, sem saber o que era isso”, contou.

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Drama familiar

Além dos problemas com o avô, Strickland também teve seu psicológico abalado por problemas com os pais. Sem esconder a história, o peso médio do UFC desabafou sobre um episódio dramático.

“Havia muito problema psicológico. Meu pai era maluco. Digamos que você tem algo que ama, um brinquedo ou algo do tipo. Ele chegava em casa bêbado, talvez pensando que minha mãe o tivesse traído, e ele simplesmente quebrava o brinquedo”, contou.

Partindo do relato, Sean seguiu. O atleta se lembra de um caso marcante e decide dividir com o público.

“Me lembro que eu dormia muito no quarto da minha mãe, porque acreditava que ele (o pai), a mataria. Pensava que acordaria um dia e ela estaria morta. Uma vez, me escondi debaixo da cama deles e ele (meu pai) estava em cima da minha mãe. Talvez fosse apenas um ‘sexo selvagem’. Quem sabe? Ele ficou por cima e começou a estrangulá-la, dizendo: ‘hoje você vai morrer’. Acho que eu estava na terceira série, era jovem. A única coisa que vi foi uma guitarra, então, a peguei e quebrei na cabeça dele o mais forte que pude. Peguei o telefone, fugi e chamei a polícia. Minha mãe, a idiota, o tirou da cadeia no outro dia”, explicou.

Declaração homofóbica

Passada a infância conturbada, com traumas e polêmicas, Strickland conseguiu chegar no topo do MMA. O grande momento dentro da organização, no entanto, não impediu que o atleta colecionasse declarações consideradas, por que não, ofensivas.

Em dezembro de 2021, após uma temporada vitoriosa, Sean novamente causou. Em fala homofóbica, o atleta sugeriu que teria falhado como pai, caso tivesse um filho gay.

“Se eu tivesse um filho gay, pensaria que falhei como homem em criar tal fraqueza. Se eu tivesse como filha uma prostituta, pensaria que ela só queria ser como o pai”, disse o norte-americano, à época, em sua conta no Twitter. Não satisfeito, Strickland completou. “Gays são ótimos. Eu os apoio em suas escolhas. Liberdade. Gays fazem isso. A maioria dos gays que eu conheço está sempre feliz. Todos eles ficam amigos o dia todo e fazem sexo. Nós, homens heterossexuais, estamos f*******, pois temos que fazer um trabalho sério para transar. Não é justo”, encerrou.

Tentativa de retratação

Perto de sua principal luta no UFC, até o momento, Sean voltou a tratar do tema nesta semana. Em conversa com a imprensa no ‘media day’, promocional para o UFC Las Vegas 47, o atleta tentou ‘contornar’ a fala polêmica, mas parece não ter dado certo.

“No fim das contas, quando brinquei sobre os gays, eu amo os homens gays. Eles são incríveis. As lésbicas, não muito. Elas me odeiam. Elas me olham e enxergam o cara que as machucaram. Não sou esse cara, não sou o pai delas. Homens gays me olham e querem me fod**. Eu respeito isso. Eles me cumprimentam. Recebo foto de p** sempre. Não sou homofóbico”, garantiu.

Desejo de matar

Um dos ‘pontos altos’ nas declarações de Strickland aconteceu na metade da temporada passada. Em ascensão nos médios, Sean voltou a ser notícia quando afirmou que seu sonho, enquanto lutador de MMA, era matar um adversário no exercício de sua função.

“Se você gosta de machucar as pessoas, está no esporte certo. Eu adoraria matar alguém no ringue. Nada além disso. Ficaria muito feliz. (…) Eu teria que me desculpar com os policiais depois. Ser um psicopata é divertido”, afirmou Strickland, ainda no octógono, após o UFC Las Vegas 33, quando desbancou Uriah Hall.

Histórico do atleta

Profissional no MMA desde março de 2008, Sean Strickland vive seu melhor momento dentro do UFC. Em grande fase nos médios, o lutador, hoje, soma 27 apresentações na modalidade, sendo 24 vitórias e três derrotas.

Atual número sete no ranking liderado por Israel Adesanya, o norte-americano pode se aproximar do top 5, caso supere Jack Hermansson no UFC Las Vegas 47. Ex-representante dos meio-médios (até 77kg.), o lutador não sabe o que é perder desde que migrou para a divisão até 83,9kg.

Podcast #68: Adesanya, Poatan e Volkanovski: Tudo sobre o UFC 276