
G. Robocop em vitória no UFC. Foto: Reprodução/Instagram
No coração de Las Vegas, onde histórias de glória e queda se entrelaçam sob as luzes do Apex, um brasileiro chega para o maior desafio de sua carreira. De mãos de aço e raízes no jiu-jítsu, Gregory Robocop não carrega apenas a bandeira verde-amarela neste sábado (15). Nas costas, pesa a ambição de entrar para a elite dos pesos médios (até 83,9kg.) da organização, escalando o ranking com uma vitória sobre Jared Cannonier, ex-desafiante ao cinturão e veterano que ainda respira fogo aos 40 anos. O confronto acontece na luta principal do UFC Vegas 102 do próximo sábado (15).
Nascido em Porto Velho (RO), Robocop moldou sua carreira nas artes suaves do jiu-jítsu, conquistando oito títulos nacionais e um mundial antes dos 25 anos. As graduações, sob a tutela de Henrique Machado (primeiro sensei de Ronaldo Jacaré), até a transição para o MMA revelaram um lutador multifacetado: 63% de suas 16 vitórias vieram por nocaute, incluindo triunfos sobre Julian Marquez e Chidi Njokuani.
Seu caminho no UFC, porém, não foi linear. Derrotas polêmicas, como a decisão dividida para Armen Petrosyan em 2022, e um nocaute relâmpago sofrido para Brunno Ferreira no Rio de Janeiro em 2023, testaram sua resiliência. A resposta veio em triunfos consecutivos sobre Denis Tiuliulin, Brad Tavares e Christian Leroy Duncan — este último em Manchester, cidade que elegeu como ‘amuleto’ após acompanhar Vitor Belfort em 2016.
Jared Cannonier, sétimo no ranking dos médios, não é apenas um obstáculo no caminho de Gregory. É um símbolo de resistência. Aos 40 anos, o norte-americano acumula 17 vitórias (10 por nocaute) e uma reputação de ‘quebrador de cartéis’, com triunfos sobre Sean Strickland e Marvin Vettori. Porém, duas derrotas seguidas para Nassourdine Imavov e Caio Borralho colocaram sua posição no Top 10 em xeque.
Apesar do apelido Robocop, que remete à impessoalidade mecânica dentro do octógono, o brasileiro exala humanidade fora dele: marido de Jessica, pai de Serena e frequentador assíduo de igrejas, ele evita holofotes. Prefere a simplicidade de Manaus à agitação de Las Vegas.
“Até então, o Distak nem me conhecia direito. Eu era o cara do jiu-jitsu e os caras do jiu-jitsu são mais duros e tal. Eu tava no fundo da academia treinando e ele queria me chamar para me apresentar para as pessoas, aí ele gritou “ei, você, o Robocop” e ali começou o apelido. Até então eu não gostava”, declarou em entrevista à ‘ESPN’.
Gregory Robocop treina com Artem Vakhitov. Foto: Reprodução/Instagram
Robocop treinou com Artem Vakhitov, campeão mundial de kickboxing e ex-rival de Alex Poatan, para aprimorar seu jogo em pé, enquanto Cannonier trabalhou mobilidade para evitar quedas.
“Estou pronto para isso espiritualmente, mentalmente e fisicamente. Este é o momento certo que chegou na hora certa, e estou animado. Eu estava apenas me certificando de que estou 100% pronto, e estou”, adiantou o brasileiro em entrevista ao ‘MMA Junkie’.