Após derrota, sogra faz apelo por aposentadoria de Lyoto: ‘Pare e vá viver!’

Ray do Vale publicou desabafo em seu blog pessoal, criticou o universo das lutas e disse que o genro não combina com os "músculos fabricados em oficinas nem um pouco éticas"

Ray do Vale (esq.), a sogra, ao lado de Lyoto e os netos. Foto: Reprodução/Facebook

Ray do Vale (esq.), a sogra, ao lado de Lyoto e os netos. Foto: Reprodução/Facebook

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A segunda derrota consecutiva de Lyoto Machida, novamente de forma implacável com o nocaute sofrido para Yoel Romero no último sábado (27), despertou sentimentos diversos nos fãs de lutas. O atual momento de um dos grandes nomes do MMA brasileiro, entretanto, motivou um desabafo sincero, e bastante preocupado, de sua sogra. Em seu blog pessoal, Ray do Vale, mãe de Fabyola, esposa do lutador, publicou um longo texto no qual faz um apelo ao Dragão para que ele coloque um ponto final em sua carreira.

“Pare agora, Lyoto, vá viver! Lyoto já viveu o seu sonho de criança, quando acordava de madrugada, driblando a vigilância da família pacífica e bem formada, para assistir os “telecatch” da vida, sonhando ser um daqueles monstrengos que, naquela época, apenas fingiam bater, em cenas de pseudoviolência, quase pastelão. E quando cresceu, como é da sua índole, correu atrás do desejo da sua criança. A admiração e a confiança que tenho na sua integridade e na sua nobreza foram a senha para que respeitasse o caminho que escolheu. Ele saberia a hora de parar. Tomara que seja logo”, escreveu a sogra.

Em outro trecho, ela chegou a dizer que o jeito sensível do genro não combina com o mundo “selvagem” das artes marciais. Além disso, apontou Machida como uma exceção em um universo de atletas “anabolizados” e “pouco éticos”. “Nunca entendi sua entrada nesse mundo selvagem, de pessoas e valores tão diferentes dos que ele sempre cultivou. Assim mesmo sempre o apoiei, sem julgamentos ou avaliações. Detesto a luta, mas amo o lutador. A admiração e a confiança que tenho na sua integridade e na sua nobreza foram a senha para que respeitasse o caminho que escolheu. Hoje, mais que antes, é um mundo de criaturas anabolizadas, verdadeiros feixes de músculos artificiais, duros e impiedosos como barras de aço. Lyoto não combina com músculos fabricados em oficinas nem um pouco éticas. Ele jamais apelaria para meios escusos. Sua marca é a disciplina”, disparou.

Confira abaixo o texto completo publicado pela sogra de Lyoto:

PARE AGORA, LYOTO! VÁ VIVER…

Lyoto é uma alma nobre, espiritual e sensível. Nunca entendi sua entrada nesse mundo selvagem, de pessoas e valores tão diferentes dos que ele sempre cultivou. Assim mesmo sempre o apoiei, sem julgamentos ou avaliações. Detesto a luta, mas amo o lutador. A admiração e a confiança que tenho na sua integridade e na sua nobreza foram a senha para que respeitasse o caminho que escolheu. Ele saberia a hora de parar. Tomara que seja logo!

Lyoto já viveu o seu sonho de criança, quando acordava de madrugada, driblando a vigilância da família pacífica e bem formada, para assistir os “telecatch” da vida, sonhando ser um daqueles monstrengos que, naquela época, apenas fingiam bater, em cenas de pseudoviolência, quase pastelão. E quando cresceu, como é da sua índole, correu atrás do desejo da sua criança.

Mas… me permito dizer agora: definitivamente, Lyoto não combina com esse mundo selvagem e sangrento, que não finge ferir, fere! Ok. Ele já viveu a experiência que desejou viver. Se o universo dos chutes e socos letais sempre foi selvagem, cada dia se torna mais perigoso e distante da alma de Lyoto. Hoje, mais que antes, é um mundo de criaturas anabolizadas, verdadeiros feixes de músculos artificiais, duros e impiedosos como barras de aço. Lyoto não combina com músculos fabricados em oficinas nem um pouco éticas. Ele jamais apelaria para meios escusos. Sua marca é a disciplina e a disciplina. Seu recurso maior, a meditação e uma alimentação super equilibrada, sob orientação técnica, e amorosamente cuidada pelas mãos de alguém tão disciplinada quando ele – sua mulher. Essa tarefa ela não delega a ninguém. Seus pratos balanceados vem da alquimia de um amor incondicional e de um cuidado irrestrito, quase espartano. Como misturar o Lyoto dos sucos verdes, das fibras integrais, do cardápio ao óleo de coco, com aqueles homens mecânicos, cyborgs contemporâneos?

Vá viver, Lyoto! Você já atendeu ao seu desejo de menino! E já ofertou o que podia àqueles que admiram apenas o lutador. Esses só lhe festejam na vitória. São impiedosos quando o jogo vira. Agora aproveite os que amam o homem, o SER, o cidadão comum, que perde e ganha nos jogos da existência, que erra e acerta; volte a viver em sua alma brincalhona, aprontar suas conhecidas “pegadinhas” de mau gosto com os amigos. Vá comer seu bife com batata frita e tomar um suco nutricionalmente incorreto, cheio de açúcar, aqui e ali, como qualquer menino piolhento e de pé sujo. Deixe o mundo dos homens que se esqueceram de si mesmos e vá ser um pouco o moleque de joelhos escoriados de alegria. Seja menino de novo! E diga aos outros meninos, esses sim, iguais a você: fui, venci, perdi. E daí? Estou de volta pro meu aconchego! E pra minha pipa! Go, menino Lyoto! Boa pelada!

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