Feliz no Bellator, Cyborg abre o jogo sobre passagem pelo UFC: ‘Nunca fui bem-vinda’

Lenda do MMA, brasileira comenta com exclusividade ao SUPER LUTAS relação conturbada com Dana White, nova fase na carreira e planos para o futuro

Conhecida como uma das melhores lutadoras de todos os tempos, Cris Cyborg escreve a ouro sua trajetória no mundo do MMA. Atual campeã no peso pena (até 65,7kg.) do Bellator, a brasileira, no entanto, falou sobre a passagem conturbada pelo UFC, a relação com Dana White, o sucesso no presente e os planos para o futuro. As declarações foram dadas em entrevista exclusiva ao canal no YouTube do SUPER LUTAS.

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Campeã por onde passou, Cyborg é uma unanimidade quando o assunto é seu talento nas artes marciais mistas. Em grande fase na carreira, a curitibana de 35 anos abriu o coração e não fugiu de perguntas relacionadas à sua carreira.

Volta da parceria com Rafael Cordeiro

Profissional no esporte desde 2005, Cris é uma das grandes representantes da lendária academia ‘Chute Boxe’. No início de sua carreira, a atleta teve o suporte do renomado treinador, Rafael Cordeiro, que ajudou a revelar nomes como Wanderlei Silva, Maurício Shogun, Anderson Silva, entre outros. A parceria com o técnico, no entanto, foi interrompida por volta de 2009, mas retomada em 2020, para seu confronto contra Arlene Blencowe.

“Eu comecei a treinar junto com o Rafael Cordeiro, na Chute Boxe. Então, ele me conhece desde o começo, quando eu não sabia nada de MMA. Comecei aprendendo com ele, com a mesma filosofia da Chute Boxe. Isso, eu levei comigo para o resto da minha carreira. (…) Fiquei muito feliz de trabalhar para essa luta junto com o Rafael Cordeiro e com o grande time que ele tem. É uma família. Me lembrou muito o começo da minha carreira. (…) Parecia videogame, ele falava e eu fazia. Estava muito conectado”, disse a curitibana.

Relação com o UFC

Antes de brilhar com as luvas do Bellator, onde estreou em janeiro deste ano, Cyborg passou por um processo complicado antes de calçar as luvas da empresa presidida por Scott Coker. Entre 2016 e 2019, a brasileira representava o UFC e, apesar de ter feito grandes apresentações pela companhia, a relação com alguns membros da empresa não era das melhores.

“O período que eu fiquei no UFC sempre foi de controvérsia. Eu nunca fui bem-vinda lá, na verdade. Eu lutava de peso casado, mas eu queria ter minha categoria. (…) Eu sempre fiquei ali com algo não profissional, tipo, discutindo pela internet. Tudo o que o UFC me pedia, eu fui muito profissional, só que tem coisas que eu não concordo. Tem que ter um acordo entre a gente, uma parceria. (…) Sem o lutador, o evento não acontece. Tiveram várias controvérsias entre eu e o Dana White. Eu já estava cansada de tudo isso. Eles não me mandaram embora. Meu contrato acabou”, afirmou a campeã.

Valorização

A relação de Cyborg com o Ultimate acabou se desgastando ainda mais quando a curitibana foi superada por Amanda Nunes, em 2018, perdendo o cinturão do peso pena. A atleta conta que não se sentiu valorizada pela companhia, quando não recebeu a revanche imediata contra a ‘Leoa’, o que influenciou na não renovação com o UFC.

“Mesmo quando você perde uma luta, você continua vendendo o que você vendia. Seus fãs continuam com você, não estão com você só quando você está ganhando. Não desvaloriza o atleta. É lógico, você não vai chegar em uma luta pelo cinturão tão rápido, mas não vai desvalorizar porque seus fãs vão parar de te seguir”, declarou.

Polêmicas com Dana White

Um dos estopins para que Cyborg optasse por avaliar outras possibilidades fora do Ultimate após a última luta de seu contrato (2019) foi sua relação com o presidente da companhia, Dana White. Antes de deixar o UFC, a atleta e o mandatário trocaram farpas publicamente por meio da imprensa e redes sociais. A brasileira, então, falou sobre o que pensa sobre o tratamento do ‘chefão’.

“A maioria das pessoas do UFC que trabalharam junto comigo é muito gente boa, sabem como eu fui muito profissional. O que acontecia é que Dana White, quando estava na minha frente, falava uma coisa e, na internet, falava outra. É uma coisa que você não consegue controlar e isso foi meio que afetando, não só eu, mas a minha imagem. Todo mundo sabe que nunca temi nenhuma adversária, desde o começo da minha carreira”, disse Cris, ao tratar dos episódios em que Dana afirmou que a curitibana temia e evitava uma revanche contra Amanda Nunes.

Realidade no Bellator

Famosa mundialmente por suas conquistas no esporte, Cyborg não demorou muito para aceitar uma proposta tentadora de Scott Coker, que comanda o Bellator. A última apresentação da brasileira com as luvas do Ultimate aconteceu em julho de 2019 (na vitória sobre Felicia Spencer) e, seis meses depois, Cris encantava os fãs no cage circular, conquistando, na estreia, o título no peso pena contra Julia Budd. Feliz com a nova fase, a atleta, então, comentou sobre o presente na nova companhia.

“Eu não me sinto como uma empregada do evento. Sinto que somos parceiros, duas empresas trabalhando junto. Não tenho problema fora da luta. ‘Prometeu alguma coisa, não cumpriu’, não tem nada disso. Só tenho que focar na minha luta e preparar. Isso foi primordial, e respeito. O Scott (Coker) respeita todos os atletas, do primeiro ao último. Ele sabe da filosofia da arte marcial, (…) tratar os atletas como a gente merece”, afirmou.

Em outubro, Cyborg fez sua primeira defesa de título, quando encarou a veterana Arlene Blencowe. Contra a australiana, Cris voltou a ter uma apresentação de gala, dominando a rival e conquistando a primeira finalização de sua carreira.

Atualmente, Cris soma 25 apresentações no MMA profissional. A curitibana soma 23 triunfos e apenas duas derrotas.

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