Cara de Sapato aposta em versatilidade para bater Brad Tavares no UFC 257 | SUPER LUTAS

Cara de Sapato aposta em versatilidade para bater Brad Tavares no UFC 257

Brasileiro busca retomar o caminho das vitórias neste final de semana para voltar ao ranking dos médios; atleta também falou sobre a derrota controvérsia contra Uriah Hall e período em inatividade

A. Cara de Sapato (esq.) e B. Tavares (dir.) se enfrentam no UFC 257. Foto: Reprodução/Instagram

Antônio Cara de Sapato volta ao octógono após um ano e quatro meses, para enfrentar Brad Tavares no card preliminar do UFC 257, que acontece no próximo sábado (23), na ‘Ilha da Luta’, em Abu Dhabi. O brasileiro pode retornar ao ranking dos médios (até 83,9kg) com a vitória. Em entrevista exclusiva ao SUPER LUTAS, ele revelou que o período em inatividade colaborou com sua recuperação física e mental e diz que a versatilidade será um diferencial para vencer seu rival.

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“Uma outra coisa boa (do treinamento) também foi começar a misturar ainda mais as artes (marciais). Às vezes eu sentia que acabava isolando muito. Ou eu só trocava, ou eu só tentava colocar para baixo. Acabei me limitando. Quando a gente mistura um pouco, faz o cara ficar na dúvida do que iremos fazer, ajuda muito. Usei isso no The Ultimate Fighter (TUF) e consegui dois nocautes na casa. Isso foi uma chave muito importante no meu treino também”, afirmou o brasileiro.

Cara de Sapato precisa de recuperação no octógono. O brasileiro, que tem um cartel de 10 vitórias e quatro derrotas, vem de dois reveses em série, sendo a última para Uriah Hall na decisão dividida dos juízes, no UFC Vancouver, em setembro de 2019. Neste final de semana, o brasileiro terá pela frente o norte-americano Brad Tavares, que vem de dois resultados negativos no Ultimate – contra Israel Adesanya e Edmen Shahbazyan.

Leia a entrevista completa com Cara de Sapato

SL: Você não luta desde setembro de 2019 e passou por uma cirurgia no joelho. Apesar disso, o que pôde tirar de proveito no tempo em que esteve fora? Sente que, por mais que haja um período de inatividade, o tempo com sua família te ajudou a fortalecer como lutador?

CDS: Foi exatamente isso. O tempo que eu passei aí (no Brasil) foi de recuperação física e emocional. Então, mesmo em inatividade, não foi improdutivo. Estava precisando disso, relaxar com a família e amigos. Todo mundo de quarentena, fiquei trancado em casa, após a cirurgia. Realmente isso me fez muito bem e agora (estou) feliz em estar voltando já no começo do ano, no super evento que vai ter. Estou feliz e pronto, tanto fisicamente, quanto mentalmente.

SL: Como foi pra você receber um convite pra lutar no UFC 257, que promete ser um dos maiores eventos do ano?

CDS: Fiquei super feliz. Primeiro por lutar logo no começo do ano, ainda mais neste evento. Foi algo que me deixou satisfeito e animado. Acho que muitas coisas estão acontecendo e me dando ainda mais energia e vontade de trazer essa vitória para o Brasil.

SL: Você vai participar de um espetáculo que vai ser encabeçado pelo Conor McGregor. Dá pra sentir algo diferente? Muda algo no quesito visibilidade para você?

CDS: Com certeza. (Conor) McGregor é um cara que vende muito. Na questão dos números, não tem nem o que falar. Então, querendo ou não, vai ter muita visibilidade neste evento. Isso é bom para todo mundo, né? Acredito que vai ter muita gente assistindo e espero muita energia positiva para a gente poder sair de lá com o braço erguido e cheio de energia.

SL: Você vai fazer sua primeira luta durante a pandemia. Seus amigos e/ou companheiros de equipe chegaram a dar alguma dica? E o que você sentia enquanto acompanhava um combate pela televisão?

CDS: Quando eu acompanhava pela TV, (tinha) a vontade de lutar. Mas como eu falei, era um tempo que eu precisava para me recuperar emocionalmente. E na verdade ainda não falei com ninguém sobre essa questão. Falamos pouco sobre isso, mas já estou um pouco acostumado por ter lutado no ‘The Ultimate Fighter’ (TUF), que era mais ou menos assim. O bom era que dava para ouvir os treinadores bem, mas não tinha a emoção. Por mais que não seja um grande público, já conseguiremos ouvir alguns gritos e vai ter aquela emoção do UFC.

SL: No fim do ano passado, Brad Tavares te acusou de colocar um espião nos treinamentos dele. Como foi essa história? Você achou graça ou ficou com raiva da situação?

CDS: Nem raiva, nem graça. Achei estranho ele falar que eu liguei para alguém para perguntar sobre o treino. As informações eu quero pegar, sem sombra de dúvidas, mas não foi desta forma. Acho que foi justamente vendo as lutas dele, estudando com meus técnicos, vendo os pontos fortes e fracos e onde podemos usar a nosso favor. Se tivesse condição de pegar outra informação, certamente eu pegaria. Quero pegar o máximo possível para usar. Essa história foi irrelevante, na verdade.

SL: Então, falando do Brad Tavares ainda, como foi sua preparação pra enfrentá-lo?

CDS: O treinamento foi muito bom. Foquei no que estava precisando e umas coisas que precisávamos ajustar. Teve também a ida do (Marcus) Buchecha para a American Top Team (ATT) na Flórida, para ajustar a parte de chão e alguns detalhes que a gente acaba perdendo com o tempo de MMA. Como ele estava lá, me ajudou muito a apontar esse refinamento e pegar as coisas que fizeram muita diferença lá.

SL: Como você imagina o final ideal da sua luta?

CDS: O cenário ideal é sempre finalizando. Mas acredito que posso nocautear, assim como fiz no TUF também. Acredito na minha trocação e no meu boxe. Mas o jiu-jitsu é meu carro-chefe, onde gosto de trabalhar e, quando eu levar a luta para o chão, sinto que terei uma superioridade muito maior.

SL: Você vem de duas derrotas consecutivas, que é algo inédito na sua carreira, para Ian Heinisch e Uriah Hall. Falando especificamente do segundo (ocupa a nona posição no ranking), você tem vontade de fazer uma revanche no futuro?

CDS: Considero que venci aquela luta (contra Uriah Hall). Você vê que eu fiquei surpreso de terem dado a vitória para ele e até ele ficou surpreso por ter vencido. (…) Não é algo que eu guarde não (sentimento de revanche), mas se acontecer, tudo bem. Ele está bem colocado no ranking e é algo que poderia fazer sentido sim. Mas agora estou focado no Brad Tavares, que já foi o oitavo e ainda segue no ranking.

SL: Em caso de vitória, você já entra no Top-15. Você tem um adversário em mente? Qual luta seria a ideal para seu encaixe?

CDS: Não tenho ninguém em mente. Por enquanto, estou apenas pensando na luta contra o Brad Tavares. Não fiquei pensando em um futuro hipotético, não. E aí, depois dela, começamos a pensar nos próximos planos.  Temos que ir um passo de cada vez e galgando nosso caminho aos poucos.

Profissional no MMA desde 2013, Cara de Sapato também falou com exclusividade ao canal no YouTube do SUPER LUTAS. Para conferir a entrevista, basta clicar no link abaixo.

Relação de lutas doUFC 257

CARD PRINCIPAL (0h, horário de Brasília):

Peso-leve: Dustin Poirier x Conor McGregor

Peso-leve: Dan Hooker x Michael Chandler

Peso-mosca: Jessica Eye x Joanne Calderwood

Peso-leve: Matt Frevola x Ottman Azaitar

Peso-palha: Marina Rodriguez x Amanda Ribas

CARD PRELIMINAR (20h15, horário de Brasília):

Peso-leve: Arman Tsarukyan x Nasrat Haqparast

Peso-médio: Brad Tavares x Antônio Cara de Sapato

Peso-galo: Julianna Peña x Sara McMann

Peso-meio-pesado: Khalil Rountree Jr. x Marcin Prachnio

Peso-médio: Andrew Sanchez x Makhmud Muradov

Peso-pena: Nik Lentz x Movsar Evloev

Peso-mosca: Amir Albazi x Zhalgas Zhumagulov

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