RETROSPECTIVA 2014: Janeiro a abril – o ano começa turbulento para o UFC

Brigas, polêmicas nos bastidores, consolidação de campeões e surgimento de outro marcaram primeiros meses do ano

Briga de Sonnen com Wand, Barão e Glover foram destaques nos primeiros meses de 2014. Foto: Produção MMA Press (Divulgação/UFC)

Briga de Sonnen com Wand, Barão e Glover foram destaques nos primeiros meses de 2014. Foto: Produção MMA Press (Divulgação/UFC)

O ano de 2014 representou muitos altos e baixos para o mundo do MMA, em especial ao UFC. Lutas históricas aconteceram, outras deixaram de acontecer por motivos distintos, várias polêmicas foram marcadas nos bastidores, além de outros anúncios que agitaram o mercado do esporte. Tudo isso em apenas 12 meses, tempo suficiente para que as boas e más notícias causassem algumas mudanças importantes para o MMA.

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Na primeira parte da retrospectiva 2014 do SUPER LUTAS, vamos relembrar os primeiros quatro meses do ano, período em que houve diversos indícios de que a temporada seria atribulada para a maior organização de MMA do planeta.

Janeiro: polêmica no TUF Brasil 3

O ano de 2014 já começou com as expectativas em alta por parte dos fãs de MMA, em especial dos torcedores brasileiros. Os olhos do público estavam voltados para o set do TUF Brasil 3, que trazia uma novidade em relação às duas edições anteriores do programa no país com a presença de um estrangeiro no comando das equipes. E não se tratava de um estrangeiro qualquer: era nada mais, nada menos que Chael Sonnen, arquirrival de Anderson Silva e que ficou conhecido no país por suas declarações provocativas e polêmicas.

O falastrão norte-americano comandaria o programa ao lado de Wanderlei Silva, a quem já havia criticado extensivamente no passado. Tudo indicava que o programa seria uma bomba prestes a explodir, algo que acabou se mostrando verdade ainda nos primeiros dias de gravação.

No dia 27 de janeiro, os dois lutadores deixaram a cerimônia de lado e foram às vias de fato. Sonnen chegou a quedar Wanderlei, que respondeu com socos enquanto a “turma do deixa-disso” chegava para aparar a briga – com exceção de André Dida, técnico-auxiliar do time de Wanderlei, que foi expulso do programa por agredir Sonnen pelas costas durante a confusão.

Rivalidade entre Wand e Sonnen já deu as caras no primeiro episódio do TUF. Foto: Reprodução/YouTube

Rivalidade entre Wand e Sonnen marcou gravações do TUF Brasil. Foto: Reprodução/YouTube

Assim que a briga aconteceu, os fãs de MMA entraram em polvorosa nas redes sociais. As imagens do incidente só foram divulgadas em abril, na transmissão do programa pela televisão. Ainda não se sabia na época, mas o lance desencadeou uma série de acontecimentos que culminaram no banimento vitalício de Wanderlei pela Comissão Atlética de Nevada, já que o brasileiro fugiu de um exame antidoping por tomar substâncias proibidas para se recuperar de uma lesão adquirida durante a briga.

Em janeiro de 2014, o UFC realizou três eventos, sendo que nenhum deles tinha cinturões em jogo. Ganharam destaque a primeira edição em Cingapura, a vitória fulminante de Luke Rockhold sobre Costas Philippou e a polêmica decisão no combate entre Benson Henderson e Josh Thomson.

Fevereiro: com o fim da TRT, sai Belfort e entra Machida

O mês de fevereiro já começou a todo o vapor para os fãs brasileiros de MMA. Logo no primeiro dia do segundo mês do ano, no UFC 169, os dois cinturões em posse de lutadores brasileiros seriam colocados em jogo, em mais um capítulo da rivalidade entre as academias Nova União e Team Alpha Male.

Originalmente, a luta principal do UFC 169 seria a unificação dos cinturões linear e interino da divisão dos galos. Dominick Cruz retornaria após três anos afastado contra Renan Barão, que detinha o título provisório da divisão até 61 kg. Porém, em cima da hora, o norte-americano voltou a se lesionar, o que fez com que Barão se tornasse o campeão linear e fizesse sua primeira defesa contra Urijah Faber, que aceitou o combate mesmo com pouco tempo de preparação.

Barão (esq.) e Faber bateram o peso para o UFC 169. Foto: Reprodução

Barão (esq.) e Faber (dir.) durante a pesagem do UFC 169. Foto: Reprodução

Barão, que já havia derrotado Faber justamente para conquistar o cinturão interino, em 2012, voltou a vencer o “freguês”, desta vez com um nocaute técnico ainda no primeiro round. A festa da Nova União foi completada com a vitória dominante de José Aldo sobre Ricardo Lamas, de modo que o Brasil mantinha os dois cinturões que possuía no momento.

A próxima parada do octógono aconteceu no primeiro evento do ano no Brasil, em Jaraguá do Sul (SC). O UFC Fight Night 36 serviu para colocar dois lutadores ainda mais perto da disputa de cinturão, com a vitória de Ronaldo Jacaré sobre Francis Carmont e o triunfo de Lyoto Machida sobre Gegard Mousasi.

Fevereiro também serviu para consolidar ainda mais o reinado de Ronda Rousey na divisão galo feminina. A campeã venceu o duelo de medalhistas olímpicas contra Sara McMann no UFC 170, acabando com a invencibilidade da rival com uma rápida joelhada na região abdominal. No mesmo evento, Daniel Cormier fez sua tão aguardada estreia entre os meio-pesados, despachando rapidamente Patrick Cummins, que aceitou substituir Rashad Evans em cima da hora após lesão no joelho do ex-campeão.

Belfort (foto) retornará ao octógono contra Weidman. Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC

Belfort (foto) teve seu ano afetado com fim da TRT. Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC

Mesmo após tantos acontecimentos, a história do mês de fevereiro aconteceu em sua reta final. No dia 27, a Comissão Atlética de Nevada anunciou o banimento da terapia de reposição de testosterona, a TRT, o que mudaria de forma drástica a rotina de nomes de destaque do esporte, como Vitor Belfort, Chael Sonnen, Dan Henderson e Frank Mir. Com isso, a luta entre Chris Weidman e Belfort, válida pelo cinturão dos médios e que aconteceria no UFC 173, em maio, teve de ser alterada. O brasileiro não teria tempo de se adaptar ao novo regulamento e foi substituído pelo compatriota Lyoto Machida.

Março: o UFC conhece um novo campeão

A categoria dos meio-médios teve, por um longo período, o domínio de um único lutador. Georges St. Pierre retomou o título da divisão até 77 kg em abril de 2008 e defendeu o cinturão de forma bem sucedida por nove vezes, vencendo quase todos seus adversários de forma dominante. A era chegou ao fim em dezembro de 2013, quando o canadense anunciou que abriria mão de seu título e daria uma pausa na carreira por tempo indeterminado.

Com isso, o UFC casou, para o evento 171, a luta que colocaria em jogo o cinturão vago. De um lado, Johny Hendricks, último desafiante pelo título e que chegou perto de desbancar GSP; do outro, Robbie Lawler, que vinha em franca ascensão desde que retornou ao UFC. O combate, realizado no dia 15 de março, não decepcionou, com bons momentos para ambos os lutadores e o título ficando nas mãos de Hendricks, vencedor na decisão dos juízes.

Hendricks conquistou o título dos meio-médios em março. Foto: Divulgação

Hendricks conquistou o título dos meio-médios em março. Foto: Divulgação

Uma semana depois, o UFC realizou seu segundo evento no Brasil em 2014. Os resultados acabaram decepcionando o público presente no ginásio em Natal (RN), já que os lutadores brasileiros acabaram sendo derrotados nas lutas principal e co-principal. Maurício Shogun fazia boa luta contra Dan Henderson, mas acabou sendo nocauteado no terceiro round; já Cezar Mutante perdeu de forma rápida para CB Dollaway.

Os demais destaques de março ficaram por conta do nocautaço de Dong Hyun Kim sobre John Hathaway, em Macau, e a vitória de Alexander Gustafsson sobre Jimi Manuwa.

Abril: Glover sucumbe diante de versatilidade de Jones

Se na época o Brasil estava em posse de dois cinturões do UFC, havia a chance de um terceiro título ser conquistado no mês de abril. Glover Teixeira, que vinha impecável no octógono com cinco vitórias em cinco lutas, desafiaria o temido Jon Jones no UFC 172.

A luta, no entanto, foi bastante ingrata para o lutador brasileiro. Jones ditou o ritmo do início ao fim, inclusive dominando as ações na trocação, área de especialidade de Teixeira. A vitória do campeão veio na decisão unânime dos juízes, com um triplo 50 a 45 – ou seja, todos os jurados viram vitória de Jones em todos os cinco rounds de disputa.

Jones levou a melhor sobre Glover no UFC 172. Foto: Reprodução/YouTube

Jones levou a melhor sobre Glover no UFC 172. Foto: Reprodução/YouTube

Enquanto um brasileiro saía do caminho do cinturão, outro ficava ainda mais perto da sonhada disputa. No UFC on FOX 11, Fabrício Werdum comprovou sua evolução como lutador de MMA e venceu com autoridade o perigoso Travis Browne, ganhando o direito de disputar o título dos pesados contra Cain Velasquez.

Em abril, o UFC também fez o retorno a Abu Dhabi após quatro anos. Pela primeira vez em sua longa carreira, Rodrigo Minotauro amargou duas derrotas consecutivas ao ser duramente nocauteado pela temida mão direita de Roy Nelson.

Confira nos próximos dias as outras partes da retrospectiva 2014 do SUPER LUTAS, com as principais histórias do mundo do MMA de maio a dezembro.

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